A farsa do dia de Ação de Graças

Tradução do Revista Diálogos do Sul  Não há nada mais falo, mais nefasto, mais soberbo nos Estados Unidos que celebrar o Dia de Ação de Graça. A celebração mais importante depois do 4 de julho, a terceira continua sendo o Natal. Amparados numa história falsa, escrita pelos genocidas que invadiram este país e exterminaram os nativos do norte do continente, em cada novembro celebram o Dia de Ação de Graças. Peregrinos, dizem os livros escolares, peregrinos imigrantes que foram socorridos pelos nativos. Não contam como se impuseram que os torturaram, que violaram suas mulheres, que os exterminaram num dos genocídios mais…

Continuar leyendo…

Núcleo patriarcal

Tradução do Eduardo Vasco, Diário Liberdade  Vivemos em sociedades patriarcais, misóginas e machistas; como resultado desse padrão, a violência contra a mulher é sistemática e estrutural. E também, por mais indigno que seja, é uma violência normalizada porque a mulher ainda é vista como um objeto que pertence à pessoa que a compra. Por essa razão, vemos pais, irmãos, avós, amigos, amantes, companheiros, acreditando-se donos de suas filhas, irmãs, netas, amigas, amantes e companheiras. E o mesmo com estranhos, eles acreditam que são donos de qualquer mulher que se sentem livres para excluí-las, insultá-las, golpeá-las, estuprá-las, matá-las e desaparecer.

Continuar leyendo…

Lenín Moreno, o grande traidor do progressismo latino-americano

Tradução do Eduardo Vasco, Diário Liberdade  Apenas alguns meses atrás celebrávamos a vitória de Lenin Moreno, que prometeu dar continuidade à Revolução Cidadã que Rafael Correa iniciou; ele resultou ser uma fraude, dando o pior golpe ao progressismo latino-americano na última década: Lenin Moreno mordeu a mão daquele que o alimentava. Moreno superou Temer, seu ódio por seu país foi mais longe, assim como Temer não suportou a luz de seus presidentes, Temer não poderia com Dilma e Moreno nunca poderá com Rafael Correa, porque Correa, como Dilma, é simplesmente imortal na memória dos povos.

Continuar leyendo…

O encanto do Che

Tradução do Eduardo Vasco, Diário Liberdade  Os Estados Unidos são um país com uma diversidade de culturas, impressionante. À beira de um semáforo, à espera de atravessar a avenida, pode haver cinquenta pessoas e todos são de países diferentes e todos têm uma história, um passado, uma raiz. A quantidade de religiões e o pensamento político também são variados. Em uma reunião social, em um restaurante, em um supermercado simples ou no parque você pode encontrar uma variedade de culturas e línguas que são impossíveis de identificar. E conheci pessoas de países que não sabia que existiam e que tiveram…

Continuar leyendo…

O encantamento do Che

Tradução do Revista Diálogos do Sul  Os Estados Unidos é um país com uma diversidade de culturas impressionante. Parados num semáforo, esperando cruzar uma avenida, podem passar cinquenta pessoas e todas são de diferentes países e todas têm uma história, um passado, uma raiz. A quantidade de religiões e pensamento político é também assim de variada. Em uma reunião social, num restaurante, num simples supermercado ou no parque pode-se encontrar uma variedade de culturas e idiomas que é impossível identificar. Já me encontrei com pessoas de países que eu nem sabia que existiam e que tiveram que me mostrar no mapa,…

Continuar leyendo…

Por que o neoliberalismo avança pela América Latina?

Tradução do Eduardo Vasco,  Diário Liberdade   Pelo gene natural de autodestruição que temos como humanidade. Esse ego próprio, o egoísmo, ou seja, ganhar todo o possível sem se importar que o outro fique sem nada.  A partir desse gene, podemos dividir os diferentes aspectos que nos levam a tentar analisar o comportamento coletivo de nossas sociedades antes da política neoliberal que nos arrasa. Neoliberalismo que sempre esteve presente porque é patriarcal e somos sociedades patriarcais, portanto, os resultados são de domínio, ódio, roubo e manipulação. O patriarcado não é apenas misógino, também é racista e elegante, terrivelmente homofóbico. O…

Continuar leyendo…

No futebol, como na vida

Tradução do Eduardo Vasco,  Diário Liberdade   O futebol é a paixão das paixões e é algo que não está em discussão. Todos nós sabemos disso. Como a paixão tem a irreverência de nos fazer vibrar em uníssono, onde quer que estejamos, fale o idioma que falamos; pelo seu caráter universal. O objetivo é o mais próximo de tocar o firmamento com as pontas dos dedos; Quem marcou um gol conseguiu a imortalidade, então o jogo está em uma rua no subúrbio e com bola de trapo. A paixão (como eu chamo o futebol) é a coisa mais bonita que…

Continuar leyendo…

Escrever

Tradução do Eduardo Vasco,  Diário Liberdade   Escrever, escrever, escrever. Escrever se chove, se faz sol, se está nublado, à luz de vela, na pressa, no silêncio, na madrugada, ao meio dia, no banheiro, no ônibus, na rua, no fim da extirpação. Escrever na embriaguez, na sobriedade, na agonia, no pranto, na perda, no abandono. Na alienação. Na abundância. No vício. Apesar das circunstâncias, escrever.

Continuar leyendo…

Ilka Oliva: Foram as letras que deram voz ao vazio insondável que me habita

Tradução do Revista Diálogos Do Sul  Ilka Oliva é uma escritora guatemalteca que vive nos Estados Unidos há quase 15 anos. Migrou de maneira irregular, depois de sofrer uma decepção profissional. Os desafios que tem enfrentado não a impediram de sobressair na escrita. Já publicou 12 livros que foram traduzidos para vários idiomas e faz parte da esquipe de colaboradores da Diálogos do Sul. Mariela Castañón Ilka Oliva concedeu uma entrevista a “La Hora Voz del Migrante” e explicou as razões de estar longe da Guatemala, a situação das pessoas migrantes, os desafios e as metas alcançadas. LH / Voz…

Continuar leyendo…

Os párias na solidão do esquecimento

Tradução do Eduardo Vasco,  Diário Liberdade   Não chegam a ser nem os últimos da fila, são os do subsolo, os do esgoto, os das valas feitas a picareta e talhadeira, os que carregam em seus ombros o insulto e a insolência de uma sociedade indolente e hipócrita que os desonra. Os explorados a todas as horas, todos os dias, em qualquer lugar. Os do lombo bronzeado e das mãos calejadas, os da alma ferida milenarmente. Os do olhar transparente e peito riscado. Os párias, os cheira-cola, os camelôs, os índios de pés rachados, as putas da periferia, os aldeões,…

Continuar leyendo…

Guatemala: A pátria é agora

Tradução do Revista Diálogos Do Sul  “A Guatemala não mudará retuitando e bombando nas redes sociais com palavreado que sai da comodidade de estar diante da tela de um computador ou telefone celular, redes sociais as quais pequena parte da população tem acesso.” Quando Otto Pérez Molina ganhou as eleições, pensei que Guatemala tinha chegado ao fundo, uma sociedade que foi incapaz de processá-lo pelos crimes de lesa humanidade. Levá-lo à presidência foi uma punhalada nas costas dos familiares das vítimas e uma falta à Memória Histórica e à dignidade.

Continuar leyendo…

A pátria é agora

Tradução do Eduardo Vasco,  Diário Liberdade   Quando Otto Pérez Molina ganhou as eleições, pensei que a Guatemala havia chegado ao fundo do poço, uma sociedade que foi incapaz de julgá-lo pelos crimes contra a humanidade estava o levando à presidência, aquela foi uma punhalada nas costas dos familiares das vítimas e uma falta contra a Memória Histórica e contra a dignidade por si só. Tivemos que nos calar até que a saber nem como a justiça começou a resmungar, uma justiça castigada, manchada, desaparecida, enterrada em quantas fossas clandestinas existem na história guatemalteca. Uma mancha com rosto de meninos…

Continuar leyendo…

Crianças e adolescentes migrantes: carne de canhão

Tradução do Revista Diálogos Do Sul  Em 2014, no princípio do verão saiu Obama com suas onze ovelhas a dar uma entrevista coletiva com caráter de urgência. Falou de uma crise de crianças migrantes que viajavam sozinhas para Estados Unidos em busca de seus pais ou fugindo da violência de seus países de origem. É claro que não se falou da violência institucionalizada, referiu-se às quadrilhas, como bandos criminosos. A “crise” como ele a chamou tem mais de 20 anos e teve caráter de urgência desde então.

Continuar leyendo…

O dia em que soube que não era pobre

Tradução do Diário Liberdade   Eram os primeiros dias da década de noventa e a Ciudad Peronia começava a se encher de barracas, de gente que chegava de outros povoados e do oeste do país invadindo o setor que agora é conhecido como El Mirador. Aquilo era no cerrado, ruas de asfalto e um mercado ao ar livre, um terrão onde os vendedores tiravam sacos e caixas de papelão para servirem de mesa para colocar seus produtos.

Continuar leyendo…

O dia em que eu soube que não era pobre

Tradução do Revista Diálogos Do Sul  Eram os primeiros dias da década de noventa e a Ciudad Peronia começava a encher-se de migrantes, de gente que chegava de outros arrabaldes e do ocidente do país a invadir o setor que agora é conhecido como El Mirador. Aquilo era um matagal, ruas de terra e um mercado ao ar livre, um terreiro onde os vendedores espalhavam sacos e caixas de papelão para servir de mesa para expor suas mercadorias.

Continuar leyendo…