Antonio e José: mais dois imigrantes que têm os sonhos despedaçados nos EUA

Tradução de Beatriz Cannabrava,  Revista Diáologos do Sul  “Aqui você perde tudo, tudo se perde, já nem chorar se pode mais, até de chorar a gente cansa”, conta Antonio, migrante guatemalteco indocumentado. É meio dia de um dia de julho de verão infernal, eu os observo pela janela que dá pra rua enquanto subo as escadas da casa onde trabalho; seus corpos banhados de suor, com picareta na mão abrem uma vala na lateral da casa para consertar um encanamento.  De manhã, havia chegado o dono da empresa, um polaco de uns 60 anos, para fazer ato de presença e só.…

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Outro mundo melhor é possível: Porque devemos usar o poder colossal de nossa voz

Tradução de Beatriz Cannabrava,  Revista Diáologos do Sul  O que seria de nós no dia em que a deixássemos sair? O que seríamos como humanidade? Como seres individuais? Estamos acostumados a que outros opinem por nós, porque acreditamos que o que temos a dizer não é importante, que carece de consistência e sentido: por não ter tal grau de escolaridade, por não ser de tal classe social, por não ter tal cor de pele, ser de tal gênero, por ter tal peso, por ter tal idade, tal estatura, gostar ou não gostar de tal coisa; em um dos tantos padrões com…

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Como ratos de esgoto

Tradução do Eduardo Vasco, Diário Liberdade  Não importa o dia do ano e se chove torrenciais, eles estão sempre lá desde o amanhecer até o anoitecer. Colocando o lombo. Seu corpo como uma ferramenta de trabalho e modo de sobrevivência. Não importa se pensam ou sentem, se perguntarão a hora (porque para o explorado não há relógio que pare) ou se um dente dói ou tem bolhas. Se acaba de morrer um parente ou de nascer um filho seu. Eles estão sempre lá. Colocando o lombo. Eles nunca são vistos como pessoas, pelo contrário; muitas vezes eles ficam no caminho…

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Sociedades misóginas

Tradução do Eduardo Vasco, Diário Liberdade  “Estupram uma mulher em determinada estação de trem”, disse o noticiário, sem vacilar, com esse rosto que têm os que veem a violência de gênero como coisa natural. Quantas mulheres são estupradas nas estações de ônibus e trem diariamente no mundo? Coisa natural para a sociedade que somos. “O atleta de tal país foi encontrado morto na margem de um rio, seu seio foi cortado e sua cabeça foi removida”, disse a jornalista esportiva na televisão nacional, sem piscar, a anfitriã perguntou como estava indo. sua gravidez e eles soltaram suas risadas celebrando o…

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Nos fizeram crer que somos o bagaço da sociedade, mas somos a sua essência

Tradução do Revista Diálogos do Sul  Oxalá regressemos à nossa origem para lutar junto aos nossos para recuperar tudo o que nos arrebataram Fizeram com que acreditássemos que o progresso está no cimento, que o cimento é o progresso. Fizeram com que acreditássemos que a industrialização é a prosperidade das sociedades. Que para industrializar há que desmatar impiedosamente e acabar com povos inteiros: roubando-lhes a água, a terra, a comida e qualquer meio vital de subsistência. Nos disseram que esses povos não importam e que se resistem há que acabar com eles com repressão pura, e é por isso que os…

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Se as utopias são realizáveis

Tradução do Eduardo Vasco, Diário Liberdade  É o que é esperançoso, que no inverno nos faz pensar na primavera e no orvalho das flores explodindo ao ritmo do canto dos pássaros que retornam após sua longa ausência. Logo vai cair, dizemos quando os aguaceiros ecoam nos telhados de folha nos subúrbios e os vazamentos são uma das dores do pária, enquanto as ruas se transformam em rios onde as crianças pulam e brincam com seus barcos de papel, com fome no intestino e nos sonhos de inocência. Marginalizado ancestralmente. A lenha molhada contígua ao lado da cozinha nos lembra que…

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O fascista que levamos dentro de nós

Tradução do Eduardo Vasco, Diário Liberdade  Para um fascista ganhar a presidência de um país, milhões de fascistas são necessários, que em tempos de democracia acabam dando seu voto a um extremista de direita. Porque uma coisa é uma ditadura sangrenta e outra é que milhões de pessoas votem por um fascista e o tornem presidente. O nome do fascista é o mínimo, estamos cercados por eles, nós somos eles: todos nós temos um fascista em nossas famílias, amigos, conhecidos, colegas de trabalho, em nossa comunidade, nós mesmos temos algo fascista. Não? Vamos nos ver em um espelho. Tenhamos a…

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O germe do fascismo

Tradução do Eduardo Vasco, Diário Liberdade Como um mal hereditário nas novas gerações se reproduz com facilidade porque são gerações desvalidas, deixadas à interpérie, carcomidas que, como bagaços, são lançadas às urnas, às ruas, à vida. Infestadas desse gene que acaba com o cérebro em um piscar de olhos, essas gerações não conhecem as primaveras, viveram hibernando em quartos escuros desde sempre, não conhecem o calor do sol nem a alegria do canto das aves, são incapazes de sentir algo que esteja fora da margem de seu radar de fascistas. Inclusive não sabem o que são, porque carecem de raciocínio.…

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Os outros exílios O drama da migração forçada

Tradução do Revista Diálogos do Sul  Esses outros exílios têm a particularidade da pobreza extrema, uma miséria que alguns foram obrigados a padecer por sua origem e sua classe social. Como sacos de lixo, como pacotes, como despojos são lançados para o vazio, os párias; a quem arrebataram tudo desde o momento de seu nascimento e nesse vazio; moribundos, sem anseio algum e sem pele onde deter os ossos, perambulam nas migrações forçadas. Esses outros exílios tornados invisíveis e estigmatizados por todo aquele que é incapaz de sentir no próprio nervo a dor do outro.  Em outros tempos as migrações forçadas…

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“As mulheres são sempre as mais afetadas por essas políticas de austeridade”

Tradução do Revista Diálogos do Sul  Em entrevista para Crônicas de uma inquilina, Beatriz Cannabrava e Vanessa Martina Silva falam sobre o cenário político e as eleições no Brasil No Brasil se falava de direitos humanos, de políticas de inclusão, de um Brasil nos BRICS. Celebrava-se o matrimônio igualitário. Tudo mudou em questão de segundos. Em entrevista para Crônicas de uma inquilina, Beatriz Cannabrava e Vanessa Martina Silva, ambas editoras na revista brasileira Diálogos do Sul, falam sobre a atual situação política do Brasil e das futuras eleições. Confira a entrevista: O que aconteceu que o povo foi incapaz de impedir…

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O germe do fascismo

Tradução do Revista Diálogos do Sul  Como um mal hereditário, nas novas gerações se reproduz com facilidade porque são gerações desvalidas, abandonadas à intempérie, carcomidas. Infestadas desse gene que acaba com o cérebro em um piscar de olhos, estas gerações não sabem de primaveras, têm vivido invernando em quartos escuros desde sempre, não conhecem o calor do sol nem a alegria do trinado das aves, são incapazes de sentir algo que esteja fora da margem de seu radar de fascistas. Inclusive não sabem que o são, porque carecem de raciocínio.  Estas gerações são como pacotes empilhados que carregam e descarregam em…

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