Mas cada vez é menos

Tradução do Beatriz Cannabrava, Revista Diálogos do Sul As únicas vezes que Caya da dona Chenta escutou o som dos cascos dos cavalos sobre os paralelepípedos foram nas noites em que fazia companhia à senhora da farmácia quando seus filhos iam de viagem à capital, então pedia um favor a dona Chenta para que a emprestasse para que dormisse com ela até eles regressarem; assim foi como Caya escutou o som da água potável percorrendo os canos de PVC; nessa casa também viu pela primeira vez uma privada, uma pia e uma geladeira. Um ferro elétrico, um televisor com controle remoto…

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A nostalgia de Hilarión

Tradução do Beatriz Cannabrava, Revista Diálogos do Sul Saiu do segundo turno às três da tarde, trabalhou de 5 a 10 da manhã em uma marcenaria cortando de maneira, e até às 3 da tarde limpando escritórios. Em seu caminho para o terceiro turno no qual trabalha como ajudante de garçom em um restaurante libanês, para em uma supermercado mexicano para enviar sua remessa semanal à sua família em San Sebastián, Retalhuleu, Guatemala; é domingo, mas todos os dias da semana ele trabalha igual.  Uma enorme fila o espera no supermercado, sempre há gente enviando remessas a qualquer hora, qualquer dia…

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Em qualquer lugar do mundo

Tradução do Beatriz Cannabrava, Revista Diálogos do Sul O despertador toca uma e outra vez. Cheyo olha de longe, cansado, quer continuar dormindo, há apenas três horas chegou ao seu quarto, trabalhou todo o dia, quer dormir, só dormir, mas há anos que não dorme mais de quatro horas e não porque não queira, mas porque não pode, o ritmo do trabalho não o permite.  As dores nas costas incomodam e a dor de dente lhe martela toda a cabeça, mal pode mastigar e cada vez que faz o esforço de carregar um peso nas costas sente como se tivesse uma…

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O caminho de Victorina

Tradução do Beatriz Cannabrava, Revista Diálogos do Sul Quando acordou, Victorina já ia montada sobre um pneu cruzando as águas do rio Bravo. Os gritos dos outros migrantes a despertaram. Que horas eram? Talvez uma ou duas da madrugada; como sabê-lo se o céu estava encoberto, talvez estivesse perto das três, a hora em que cantam os galos na sua Honduras natal. Nem o frio da época, nem a água a ponto de congelar lhe aturdiram tanto os sentidos como a comoção de ver tantas famílias aterradas, sem saber nadar, tentando cruzar o rio. Viu muitas pessoas que levavam como…

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No amanhecer de gelo negro

Tradução do Beatriz Cannabrava, Revista Diálogos do Sul Sai do trabalho, são por volta das seis da tarde; nesse dia limpou duas casas, a última lhe tomou mais tempo do que de costume porque seus empregadores iranianos tiveram celebração de Natal, um Natal atrasado que celebram em 7 de janeiro no calendário Juliano; a dona da casa lhe explicou isso em inúmeras ocasiões, quando ela está passando pano e a patroa aparece para contar-lhe histórias de seu país e de seus antepassados. Tomasina sempre a deixa falar sem deixar de passar pano, mal entende inglês. Quando chegou encontrou a casa…

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Sociedade demonstra o quão medíocre é quando além de não fazer nada, ainda esbanja soberba nas redes

Tradução do Beatriz Cannabrava, Revista Diálogos do Sul Muitas vezes em um ato de inconsciência total, acreditamos, porque tivemos a maravilhosa oportunidade de aceder à leitura de livros, dúzias ao longo de nossa vida, podemos burlar-nos daqueles que foram empobrecidos no nível da miséria e cada vez que podemos lhes fazemos ver que jamais estarão no nosso nível intelectual e socioeconômico.  É com eles que nos jactamos de nossos títulos universitários, porque estão tão por baixo na classificação da escala social que o sistema faz, que sabemos que passarão cem anos e seus descendentes terminarão limpando a casa dos nossos.…

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Com Xiomara Castro, Honduras renasce após anos de violações, humilhação e violência institucional

Tradução do Beatriz Cannabrava, Revista Diálogos do Sul Doeram muito as humilhações sofridas pelos migrantes centro-americanos indocumentados que tratam de atravessar o México para chegar aos Estados Unidos, buscando pôr-se a salvo da violência institucional do narco-estado no caso da Guatemala, El Salvador e Honduras. O famoso triângulo norte de que tanto falam os políticos no discurso das empresas transnacionais que em troca de uma migalha que lançam desde a rede onde se balançam, plácidos e felizes, levam as entranhas da terra que estão secando, porque não é sua, é a dos povos manchados há séculos. Povos infestados de corrupção,…

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Reflexo de seu governo, Guatemala se tornou um país corrompido desde o alicerce até o telhado

Tradução do Beatriz Cannabrava, Revista Diálogos do Sul Como se fosse pouco viver com um Narco-Estado, que violenta com polícia e exército, por ar, mar e terra e que impõe toque de recolher e estado de sítio às populações originárias que lutam defendendo suas terras e os recursos naturais das empresas mineiras estrangeiras que chegam para roubar as estranhas das montanhas; e que no processo realizam ecocídios com a autorização desses bandos criminosos que da poltrona do governo que, além do mais, é corrupto, racista, misógino, homofóbico e sumamente machista e patriarcal, a população guatemalteca violenta a si mesma.  Um…

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