“Humanistas” criticam EUA, mas se calam sobre situação dos negros na América Latina

Tradução do Beatriz Cannabrava, Revista Diálogos do Sul Na Guatemala, por exemplo, um pequeno curral onde pululam racistas, classistas, xenófobos, homofóbicos e corruptos, ser negro é pior que ser indígena; o negro está no último lugar não só das classes sociais, também dos direitos humanos. Ninguém quer ter um amigo negro, um empregador negro, um docente negro, uma esposa negra, filhos negros. E embora pareça incrível porque os povos indígenas também foram explorados e excluídos, eles tampouco querem relacionar-se com os negros. Isso seria impensável!  Os negros só servem para uma coisa, morrem por ter um amante negro, mas jamais…

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É preciso muita coragem para deixar a pátria que nos obriga a emigrar

Tradução do Beatriz Cannabrava, Revista Diálogos do Sul Depois da cerca a pátria se converte em saudade perene. Sabem-no os indocumentados mais do que ninguém. Converte-se nessa carta velha de papel rasgado por tanto dobrar e desdobrar. Está na lembrança dos dias de chuva, da plantação crescendo, das flores frescas ou do aroma do café torrado em panela de barro. A névoa da terra que se deixou ao outro lado da cerca atravessa as fronteiras e se infiltra pelas frestas das janelas dos arranha-céus onde trabalham limpando os banheiros e os pisos as gerações que tiveram que emigrar porque na…

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Ilka Oliva Corado: Meu legado para as meninas da periferia é resistir através da escrita e da arte

Tradução do Beatriz Cannabrava, Revista Diálogos do Sul Minha expressão escrita nasceu da minha inexpressão verbal. Nunca pude comunicar-me com os humanos, dentro de mim habitam mundos e vulcões em erupção, mas por fora são icebergs, a própria rudeza. Tenho dificuldade em aproximar-me das pessoas; não sou tímida, pelo contrário sou atrevida, tenho facilidade de palavra graças à minha Alma Mater, o mercado onde cresci vendendo sorvetes, essa experiência me ensinou a sair adiante e a buscar-me a vida ao trote, a vergonha não serve para a sobrevivência; então, graças àqueles anos tratando de sair à passagem dos comensais para…

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«Participar nesta Bienal é um presente da vida para alegrar meu coração e encher de regozijo meu espírito», escreve a colaboradora da Diálogos do Sul

Tradução do Beatriz Cannabrava, Revista Diálogos do Sul No dia 4 de agosto se inaugurou na Venezuela, a Bienal do Sul, Povo em Resistência. Esta Bienal conta com a participação de 127 artistas de 26 países e tenho o enorme privilégio de estar participando com uma das minhas pinturas. Da série Minha Família. O título do quadro é “A la arada”. Óleo sobre tela. Para mim é uma enorme alegria ter essa oportunidade, porque pinto de coração, desconheço técnicas, estilos, a linguagem das cores, pinto desde criança, é o que sonhei fazer, mas pelas minhas circunstâncias de vida não foi…

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Para a sociedade, a periferia é onde se conjugam todos os males. Como sujeitos periféricos, sejamos a resistência

Tradução do Beatriz Cannabrava, Revista Diálogos do Sul Historicamente para a sociedade classista e racista, na periferia se conjugam todos os males do mundo e, por isso, quem é de periferia automaticamente tem que ser ladrão, abusador, velhaco, violador, assassino e tudo quanto a mente humana possa conceber. Tirar essa marca é um trabalho titânico porque o estigma é uma espécie de DNA. Porque ser da periferia se converte em impedimento para conseguir trabalho, para estudar, para estabelecer relações sociais fora dela. As pessoas veem o povo da periferia como delinquentes com os quais é preciso tomar cuidado. É excluída…

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Abrir o coração para alguém que clama por ser escutado é algo que todos deveríamos praticar

Tradução do Beatriz Cannabrava, Revista Diálogos do Sul Estou buscando varinhas de bambu para amarrar o talos dos girassóis que estão crescendo e já começam a dobrar; caminho entre as prateleiras cheias de vasos com uma variedade de verão, cores de flores fogo, amarelos de várias tonalidade e os verdes das folhas que vão desde o verde garrafa ao verde abacate.  Os amarelos e alaranjados vivos. Idosos são contratados temporariamente para cuidar das flores na estação; se os vê regando-as, tirando as folhas secas e colocando-as cuidadosamente nas prateleiras. Os jovens estão na área de terra e adubo, carregando as…

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Médicos cubanos demonstraram ao mundo que, apesar do bloqueio, resposta está na solidariedade

Tradução do Beatriz Cannabrava, Revista Diálogos do Sul No meio de um sistema putrefato, infestado de corrupção e impunidade que carcome até os últimos alicerces da sociedade guatemalteca e leva à sua passagem as vidas de milhares de vítimas, se destaca uma brigada médica que carrega nos ombros os mais vulnerados, porque chega até onde os médicos nacionais não vão. E são os médicos cubanos dispostos a enaltecer o trabalho de salvar vidas.  Um bando de criminosos que colocam suas marionetas no governo de turno se encarregou de arrasar com os recursos e com isto fazer sucumbir o povo ajoelhado…

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Genocídio palestino é realizado há décadas por Israel e humanidade nada faz para ajudar

Tradução do Beatriz Cannabrava, Revista Diálogos do Sul Das ditaduras na América Latina se disse que era muito difícil reproduzir a informação devido à repressão e às limitações técnicas, e o que tinham que fazer os jornalistas estrangeiros eram mil malabarismos para que se conseguisse tirar do país, dar a conhecer e, por isso se ficou tanto tempo no silêncio e no esquecimento.   A tecnologia avançou e os tempos mudaram; vemos hoje a própria população usando seus telefones celulares e reproduzindo em tempo real o que acontece em seus países; as imagens se reproduzem no nível mundial em questão de…

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Reforma tributária foi gota d’água para que Colômbia fosse às ruas buscar justiça pelo fim da ditadura

Tradução do Beatriz Cannabrava, Revista Diálogos do Sul Em 2015 foi a Guatemala, se manifestando contra a corrupção nos sábados de ir tomar sol para bronzear-se.  A América Latina se assombrava de ver a submissa e feliz sociedade guatemalteca rebelar-se finalmente depois de eleger um genocida como presidente; não se manifestavam pedindo justiça pelas vítimas do genocídio, que negavam, mas sim por corrupção. Mas algo é algo, dadas as circunstâncias de uma muito fraca memória histórica. Levaram um gol de placa quando puseram Jimmy Morales na presidência e depois disso foram sozinhos para a matadouro quando votaram também em Giammattei, tão…

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Não importa quanto tempo leve, é preciso superar os traumas da infância para alcançar a emancipação na vida adulta

Tradução do Beatriz Cannabrava, Revista Diálogos do Sul Quando os terrenos se elevavam em nuvens de poeira nas ruas recém feitas na Cidade Peronia, chegou uma família que montou uma venda de tortilhas e que alugava bicicletas. Para ter esses dois negócios em um arrabalde cheio de gente empobrecida, essa gente tinha dinheiro, três empregadas (indígenas) que preparavam as tortilhas e os homens da casa eram encarregados do negócio das bicicletas, que eram dezenas. Tudo isso no início da década dos noventa.   No arrabalde ninguém tinha dinheiro para alugar uma bicicleta. Então o que fazíamos era uma vaquinha entre todos…

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Semitas, pão de arroz e salporas: Na Guatemala, cozinhar é como fiar o tecido dos ancestrais

Tradução do Beatriz Cannabrava, Revista Diálogos do Sul Vovó, e falando de Comapa, a senhora sabe como se fazem as “semitas”? perguntei para minha avó depois de 17 anos na diáspora, e até eu me surpreendi. Como é possível, negra, me disse, que não tenha perguntado antes a receita das “semitas” de sua avó? Vovó começou a me ditar os ingredientes das “semitas”, do pão de arroz, das queijadinhas e das “salporas”. Peguei uma folha de papel e anotei. Vai experimentando o açúcar, me disse, e vai provando a cada pouco e aí você vai pondo mais se precisar. Tantos…

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Liliana Foresi: Censurada e perseguida há 30 anos, jornalista merece reparação pública

Tradução do Beatriz Cannabrava, Revista Diálogos do Sul Liliana López Foresi, é uma referência do jornalismo comprometido, não com os que subornam, nem com os que destroem, mas com os que resistem e se irmanam quando as coisas andam mal. É um mito, uma lenda do jornalismo que muitos da oligarquia argentina através dos anos tentaram desvanecer. Quem pensa em jornalismo humano, indispensável, responsável, com enfoque de gênero e ético na Argentina sabe que tem uma representante: Liliana López Foresi.  Mas, se Liliana é tão importante para os alicerces do jornalismo feminino com opinião política na Argentina, por que continua…

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Na Guatemala, apagou-se do sistema educativo toda evidência dos tempos nefastos da ditadura

Tradução do Beatriz Cannabrava, Revista Diálogos do Sul Para não ir tão longe, aí está o país vencido, que com tudo o que passou em tempos de ditadura era para que a estas alturas, em lugar de neoliberalismo e desmemoria, a sociedade tivesse reconstruído seu tecido social, encarcerado os que cometeram crimes de lesa humanidade a partir do governo e levantado a infraestrutura.  Mas, pelo contrário, está em puro osso. A mesma sociedade carniceira dedicou-se a negar o genocídio, a menosprezar os familiares das vítimas do Conflito Armado Interno, e a se dedicar a ver preguiçosamente e apaticamente como desmantelam…

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Guatemala: É hora de sair das redes sociais e ocupar as ruas que são testemunhas da história

Tradução do Beatriz Cannabrava, Revista Diálogos do Sul Deveríamos ter um mínimo de vergonha, já que não temos coragem. Um mínimo de indignação que nos tire das redes sociais que aguentam tudo e ocupar as ruas que são testemunhas da história do país. É fácil a comodidade de uma rede social, mas isso é maquiagem, um verniz, palavrório, oratória; aí não se conseguem as mudanças de raiz e a Guatemala é um país podre. Responsabilidade da própria sociedade mestiça e urbana, incapaz de se unir aos povos originários em sua enorme dignidade e força de luta, que têm a coragem…

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