As insurgentes: Alice Munro e a falta de glamour que levou o Nobel da Literatura

Tradução do Beatriz Cannabrava, Revista Diálogos do Sul “A questão é ser feliz. A todo custo. Tente. É possível, e logo se faz ainda mais fácil” “Escrevi meu primeiro romance porque queria lê-lo”. – Toni Morrison.   A agudeza da escrita de Alice Munro está marcada pela simplicidade e naturalidade com que conversaria qualquer dona de casa com suas amigas na cozinha enquanto prepara o almoço para os filhos.  Alice escreve com a inocência com que falam as mulheres que trabalham limpando quartos de hotel e das que nos povoados inóspitos passam as tardes lavando roupa nos tanques públicos.  Escreve assim, porque…

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Romper com rivalidade entre mulheres imposta pelo patriarcado é nossa missão de gênero

Tradução do Beatriz Cannabrava, Revista Diálogos do Sul Não podemos deixar às gerações que estão por vir um legado de indiferença, de rancores, de discriminação O domínio patriarcal pensa que nós mulheres devemos sentir inveja entre nós, agradece quando nos odiamos, nos culpamos, quando nos dispersamos em lugar de unir-nos. Quando estamos distribuindo rasteiras para ver cair aquela que acreditamos ser nossa rival. A rivalidade entre mulheres é produto dos padrões patriarcais com os quais crescemos e que estão em todos os âmbitos da sociedade. Romper com isso é nossa missão de gênero. Não podemos deixar às gerações que estão…

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As insurgentes: Dona Julia

Tradução do Beatriz Cannabrava, Revista Diálogos do Sul Uma personagem rebelde, inconformada, que não se dobrou diante do sistema patriarcal e depredador da classe operária. Eu teria por volta de 8 ou 9 anos quando a conheci, ela por volta dos 70; seu local de trabalho era a parada de ônibus da Cidade Peronia; Dona Julia tinha olhos azuis de céu desnudo de verão e usava roupa de segunda mão que comprava nos brechós, sempre limpa, seu garbo natural fazia com que parece uma prenda fina recém comprada; seus vestidos longos de musselina e camurça que combinava com cachecóis e…

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A nostalgia guatemalteca que não se pode alcançar vivendo nos Estados Unidos

Tradução do Beatriz Cannabrava, Revista Diálogos do Sul Para minha pena tenho a certeza de que o sabor daquelas magdalenas de antanho da Guatemala não existe mais Há muito tempo tenho desejo de comer uma magdalena, uma magdalena que tenha o sabor das magdalenas da Guatemala na década de 90, mas já passaram 29 anos e vivo nos Estados Unidos, a longas léguas de distância e para minha pena tenho a certeza de que o sabor daquelas magdalenas de antanho não existe mais; isso aviva ainda mais meu desejo de comprar uma magdalena, sim, uma magdalena dessas, daquelas magdalenas que…

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Atrever-se a curar a ferida

Tradução do Eduardo Vasco, Diário Liberdade Não importa se a primeira expressão surge com medo, raiva, raiva, impotência ou frustração e é por isso que ela ressoa e lança chamas ou queima como brasas; se ele arranhar, se gritar, se chorar de forma lamentável ou se der um soco no vazio; realmente isso não é o importante, o importante é que a ferida começou a cicatrizar. Não importa se os degraus são vacilantes, se são três para frente e um para trás, se vai para o lado ou em ziguezague, o que realmente importa é ficar de pé e tentar…

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Não importa a primeira expressão, a resistência está em atrever-se a curar a ferida

Tradução do Beatriz Cannabrava, Revista Diálogos do Sul Só curando a ferida a expressão se transforma em alegria, em calma e em felicidade. Chegará o momento no qual não doerá mais Não importa se a primeira expressão emerge com medo, raiva, ira, impotência ou frustração e que, por isso, retumbe, lance chamas ou queime como brasa; se arranha, se grita, se chora queixosamente ou se lança socos ao ar; realmente isso não é o importante, o importante é que já se começou a curar a ferida. Não importa que os passos sejam vacilantes, se são dados três para a frente…

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Remessas com sacrifício e sobretudo amor

Tradução do Beatriz Cannabrava, Revista Diálogos do Sul O negócio de envio de remessa torna mais milionários os donos de bancos e casas de câmbio. De repente aparece uma nuvem escura e o que é uma manhã ensolarada de primavera se converte em um típico dia de chuva de inverno; as pessoas correm assustadas do estacionamento para o supermercado. A precipitação é de tormenta, em segundos o céu escurece e as grandes gotas caem com força de granizo. Pego meu carrinho e entro sacudindo a água do suéter, me dirijo para o local onde estão os suplementos vitamínicos, buscando o…

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Em dias de chuva, como hoje, a Guatemala me brota pelos poros e inunda meu quarto

Tradução do Beatriz Cannabrava, Revista Diálogos do Sul Meus pés caminham outras terras, mas meu espírito em dias de chuva, volta a chapinhar nos lodaçais dos caminhos que abrigaram minha infancia. Sim, sim, sim, regularmente fumigo meu quarto, como nesta manhã de chuva. O aroma da folha de tanchagem me faz recordar o cheiro dos fogões acesos na Guatemala popular. Aqui não há fogões, nesta enorme urbe industrial só há fábricas enfileiradas no Bairro das Empacotadoras, embora uma outra vez vi um forno em uma chácara fora da cidade e fiquei sem fôlego e não podia respirar; um forno! Gritei…

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E, sobretudo, amor

Tradução do Eduardo Vasco, Diário Liberdade De repente, uma nuvem aparece e o que é uma manhã ensolarada de primavera se transforma em um típico dia chuvoso de inverno, as pessoas correm apavoradas do estacionamento para o supermercado; a precipitação é de tempestade, em segundos o céu escurece e as gotas caem com força como granizo. Eu pego meu carrinho de mão e entro sacudindo a água do meu suéter, vou em direção à prateleira onde estão os suplementos vitamínicos procurando o que eu tenho que comprar; Dois carrinhos de mão me impedem de chegar perto o suficiente para ler…

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Em dias de chuva, como hoje…

Tradução do Eduardo Vasco, Diário Liberdade Sim, sim, sim, fumo regularmente o meu quarto, como nesta manhã chuvosa de chipi chipi. O cheiro da folha de Sage me lembra o cheiro de poyetones em chamas na pequena cidade de Guatemala. Aqui não há poyetones, nesta enorme cidade industrial existem apenas fábricas que andam no bairro das Empacadoras, embora na outra vez eu tenha visto uma fornalha numa fazenda nos arredores da cidade e senti que perdi o ar e que não conseguia respirar Um forno! Eu gritei e corri do pequeno estábulo onde estavam as cabras e atravessei o pomar…

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Mais além do folclore

Tradução do Eduardo Vasco, Diário Liberdade Se tivéssemos dois dedos de frente e com isso a capacidade básica de raciocínio, entenderíamos que os Povos Originais são tudo e que devemos a eles, mesmo que tenhamos atingido o topo do ensino superior ou de falsificação: somos seres plásticos e aparências. Prioridades para muitos de nós que acreditam que somos outra paisagem que está muito longe da raiz da tensão da qual viemos. Se ao menos a infinidade de leituras de livros de autores famosos que costumamos gabar nas redes sociais nos serviria alguma coisa. Se apenas a infinidade de destinos turísticos…

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