Indocumentados e sem direitos: dano psicológico que vivem é invisível para o sistema

Tradução do Beatriz Cannabrava, Revista Diálogos do Sul Há um mês que não o vejo em seu posto de trabalho; é o encarregado de colocar nas bancas as cenouras, fungos, quiabos, nessa longa banca do supermercado onde sempre há dois trabalhadores colocando as verduras. Estará doente? Pegou o vírus? Me pergunto enquanto observo detidamente as outras bancas para ver se o encontro, mas não, não está, só há jovens fazendo o trabalho. Uma nova leva, a troca de turno, os que tem toda a disposição para trabalhar, os recém emigrados; suas carinhas dizem tudo. Os recém emigrados indocumentados parecem levar…

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Guatemala: Crimes de lesa humanidade praticados na ditadura caem no esquecimento

Tradução do Beatriz Cannabrava, Revista Diálogos do Sul Aparece no meu televisor há várias semanas, mas eu me faço de desentendida e busco filmes em outro canal; é um documentário sobre a violência que açoitaram as comunidades indígenas na Guatemala no tempo da ditadura. Que fácil é poder mudar de canal ou fingir que uma imagem não está na tela. Mais de 200 desaparecidos, dizem em letras grandes, mas eu não quero ver, não agora que estou relaxando vendo documentários sobre cultura, gastronomia e qualquer outra coisa, menos sobre o que dói. Que fácil, insisto, poder mudar de canal e…

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“El Colocho”, o jornaleiro que pôs à minha disposição o horizonte aberto para eu cultivar

Tradução do Beatriz Cannabrava, Revista Diálogos do Sul Pela manhã me acostumei com duas coisas, ler e ver plantas. Não há orvalho da alvorada sem leitura e sem plantas. A leitura me ficou como um hábito dos meus dias de infância vendendo sorvetes no mercado em meu Grande Amor, Cidade Peronia. As plantas, mais que um hábito são uma necessidade, é como uma espécie de oxigênio, como também é à terra. Necessito tocar à terra. Meu pai dizia de manhã: levantem-se, caminhem, estirem os músculos, respirem o ar fresco do dia, não há nada melhor que isso, como ver as…

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Rabanetes… Sigo plantando por essa bobagem de manter a raiz camponesa dos meus avós

Tradução do Beatriz Cannabrava, Revista Diálogos do Sul Ontem de manhã colhi meus primeiros rabanetes. Dava gosto mordê-los. Tive que colher antes do tempo porque os bichinhos já estavam começando a comê-los. No primeiro ano que eu plantei, estava feliz da vida vendo crescer aquelas folhas grandotas, mas quando fui colher não havia nada embaixo; não sei como a planta pode sustentar as folhas e os talos durante tanto tempo se os bichinhos tinham comido os rabanetes, sobrou só um para mim, mas era grandão! Esse dia eu chorei de tanto dar risada com minhas folhas e um rabanete na…

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A rua, mural, a humildade e a essência da alma dos que criam plantando sementes

Tradução do Beatriz Cannabrava, Revista Diálogos do Sul Em um dia a dia onde o ódio se reproduz como nuvem de poeira, quando as armas são o comum, encontrar pessoas que escolhem criar em lugar de cortar, estancar, arrancar e estorvar é algo maravilhoso. Porque criar é plantar uma semente que germinará, é como reflorestar.  Quem cria às vezes passa despercebido como todas as coisas simples da vida que por formosas já foram assimiladas como algo habitual. Como o oxigênio que respiramos já é algo habitual que não percebemos, mas se um dia nos falta aí então vamos a valorizar…

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As vendedoras da aldeia: Tímidas, falam pouco, apenas o absolutamente necessário

Tradução do Beatriz Cannabrava, Revista Diálogos do Sul Sempre vêm à minha mente quando as flores das dez começam a abrir suas pétalas nas manhãs tíbias de verão. E com a brisa tênue dos dias de sol e canícula, aparecem os baldes de água regando o pátio empoeirado daquela casinha que foi o ninho que abrigou a inocência da minha infância. E o cheiro da terra molhada chega até a janela do meu quarto, aqui nesta terra longínqua onde hoje planto alhos, sementes de tomates e acomodo os ramos da erva cidreira que se expandem galantes como trepadeiras entre as…

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Não houve e nem haverá ninguém maior que Isabel de los Ángeles Ruano na Guatemala

Tradução do Beatriz Cannabrava, Revista Diálogos do Sul Que a poeta guatemalteca Isabel de los Ángeles Ruano vive na miséria e necessita ajuda, bah!, já se sabia há décadas. Mas na Guatemala nos encantam as erupções de desejo.  Nos encanta também aparentar, vivemos de aparências e do que dirão, e regemos nossas vidas em torno do que possam dizer de nós os demais. Então por isso vamos seguindo a corrente, e por isso é que se formam as grandes revoluções das redes sociais; baforadas, nada mais. Por isso é que hoje o nome da maior poeta que teve Guatemala ressoa…

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Mundo pandêmico: comportamentos e ações revelam melhor e pior da humanidade

Tradução do Beatriz Cannabrava, Revista Diálogos do Sul Estamos vendo a calamidade e o descaramento como vimos outras tantas vezes. O que nos tem ensinado esse tempo de pandemia? Nada. Das tantas lições por aprender, não quisemos aprender nenhuma. Em que mudará o mundo depois disso? Só histórias. Mais humanos ou não sei o que? Tampouco. Somos a espécie depredadora. Comemos uns aos outros sem melindres, sem descanso, a lei do mais poderoso, do pior, do mais canalha. Ou seja, como sempre, como no dia a dia. Não nos crispa um nervo diante da dor do outro e solapamos o…

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Pandemia é oportunidade para notar punhaladas cometidas por governos neoliberais

Tradução do Beatriz Cannabrava, Revista Diálogos do Sul Sempre são os mais vulneráveis que pagam o pato. Esta pandemia uma vez mais dá a oportunidade para que os povos abram os olhos e notem uma a uma as punhaladas que estão sendo dadas pelos governos neoliberais de seus países. Salvar as oligarquias sempre foi sua finalidade além de saquear o Estado, o que quer dizer, o bolso do povo. Nada se soluciona orando, é a ciência junto aos recursos humanos e materiais os que devem estar à disposição da sociedade neste momento; qualquer mandatário que diga à população que como…

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Entre o bulício e a serenidade: um copo vazio e silêncio são necessários para viver

Tradução do Beatriz Cannabrava, Revista Diálogos do Sul Há dias nos quais quero escrever e não posso e por más que tente não fluem as palavras, elas se escondem. As ideias se tornam nós cegos na minha cabeça e não posso desfazê-los. Acendo incenso, fumigo meu quarto, preparo um chá, realizo alguns exercícios para alongar os músculos, respiro profunda e lentamente. Torno a tentar. E passam os minutos e às três linhas na folha em branco não avançam, então sei que não é meu dia para escrever. O copo está vazio, não devo escrever quando o bulício não me permite…

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