Tortilhas de loroco

Tradução do Revista Diálogos do Sul A galinha murusha[1] apareceu de novo em seus sonhos. Ela a viu correndo apavorada junto ao bando, procurando as folhas de repolho que acabara de jogar no pátio para que comessem. Chamou-a de Murushona desde que a pintinha nasceu. Sua avó Tiba lhe deu dois ovos de sua galinha inglesa, uma miniatura de galinha com as penas cacheadas[2], que Emelda colocou junto aos outros quando uma das galinhas da casa entrou no choco. Durante as três semanas de incubação, ficou atenta ao nascimento das crias, e foi uma verdadeira festa quando suas duas pintinhas…

Continuar leyendo…

Uma xícara de café moído na hora

Tradução do Isabelle Paiva, Revista Diálogos do Sul Lena — ou Magdalena, como se chamava de verdade — abre o saco e pega o que pensa ser o último pedaço de champurrada, mas, para sua surpresa, um punhado de pedaços menores se mistura ao pozolero. Assombrada, fecha os olhos e volta a olhar dentro do saco; aquilo parece um grande precipício. Com urgência, fecha os olhos outra vez, desejando que, ao abri-los, não encontre novamente a grande depressão, mas ela está ali, imóvel. Nesse momento, Lena entra em um estado de estupor, como na primeira vez em que viu a terra vermelha…

Continuar leyendo…

Tamalinhos de loroco

Tradução do Beatriz Cannabrava, Revista Diálogos do Sul O anúncio da tormenta invernal fez que a gente correra aos supermercados a abastecer-se, Lupita não foi a excepção. Comprou o habitual, suas verduras para suas saladas, arroz, duas libras de costela porque o caldo não pode faltar nos dias de tormenta, pão doce porque não poderia tomar café sem seu pedaço de pão ao lado. O outro dia fez sopa de lentilha con espinafre e também tortinhas de carne con agrião, não lhe gosta como se vê a acelga em esse lugar, apagada e suas folhas murchas, não lhe dão ganas de…

Continuar leyendo…

Feijão maduro

Tradução do Beatriz Cannabrava, Revista Diálogos do Sul Clemencia comprou feijão maduro, ia por chiles doces e cebolas, mas o feijão lhe saiu ao passo desde a cesta da senhora Maria. Primeiro parou de cabeça para baixo, levantou as mãos e dançou,  mas Clemencia estava entretida buscando os chiles mais atrativos . O feijão não se deu por vencido e utilizou sua última ferramenta, se lançou de barriga sobre os maços de sete montes, sabia que era a única forma de chamar a atenção da despistada. Com cinco chiles na sacola, Clemencia procurou as cebolas, mas como um montão espesso de fim…

Continuar leyendo…

Mingau de soro de leite com farinha

Tradução do Beatriz Cannabrava, Revista Diálogos do Sul Começou a chover as quatro da tarde e não parou nem um segundo. Fausta se encomenda, acendo uma vela ao Senhor de Esquipulas e abriga a seus seis filhos na cama com o poncho eu lhe comprou à prestação  a um vendedor que chega todas as quintas-feiras desde Momostenango apregoando fronhas para os travesseiros, lençóis, ponchos e toalhas típicas. Sempre chega com seu filho adolescente e andam toda a cidade e os aldeias com suas vendas a prazo.  Fausta lhes dava onde esquentar as tortilhas na quentura da panela, eles as levavam em um…

Continuar leyendo…

Sorvete de Coco

Tradução do Beatriz Cannabrava, Revista Diálogos do Sul Desperta como todos os dias às três da madrugada, se pega um estirão na cama de metal que têm uma perna torta e dá um salto, cai em pé no chão de terra. Destranca a porta feita com pedaços de tábuas e sai para o quintal a escovar os dentes e lavar-se a cara com a água fria que recebeu o sereno à noite. Corta um limão pelo meio, deixa cair um pouco de bicarbonato e passa nos sovacos.  Amarra o cabelo em um rabo de cavalo, termina de pôr os sapatos e…

Continuar leyendo…

Doces de cardamomo

Tradução do Beatriz Cannabrava, Revista Diálogos do Sul Está no tanque lavando a roupa de toda a família desde as quatro da madrugada, algumas chegaram desde as três, cada una acompanhada con um candil para iluminar-se um pouco na grande escuridão em meio às arvores da aldeia. Por sorte têm um teto que as cobre um pouco quando chove sem  vento, mas quando são tormentas não há onde refugiar-se e lavam recebendo o aguaceiro, terminam com a roupa empapada, que vai escorrendo enquanto caminham de regresso para suas casas.   Se terminam antes que amanheça aproveitam para banhar-se, com sabão de coche ou…

Continuar leyendo…