Nos fizeram crer que somos o bagaço da sociedade, mas somos a sua essência

Tradução do Revista Diálogos do Sul  Oxalá regressemos à nossa origem para lutar junto aos nossos para recuperar tudo o que nos arrebataram Fizeram com que acreditássemos que o progresso está no cimento, que o cimento é o progresso. Fizeram com que acreditássemos que a industrialização é a prosperidade das sociedades. Que para industrializar há que desmatar impiedosamente e acabar com povos inteiros: roubando-lhes a água, a terra, a comida e qualquer meio vital de subsistência. Nos disseram que esses povos não importam e que se resistem há que acabar com eles com repressão pura, e é por isso que os…

Continuar leyendo…

Se as utopias são realizáveis

Tradução do Eduardo Vasco, Diário Liberdade  É o que é esperançoso, que no inverno nos faz pensar na primavera e no orvalho das flores explodindo ao ritmo do canto dos pássaros que retornam após sua longa ausência. Logo vai cair, dizemos quando os aguaceiros ecoam nos telhados de folha nos subúrbios e os vazamentos são uma das dores do pária, enquanto as ruas se transformam em rios onde as crianças pulam e brincam com seus barcos de papel, com fome no intestino e nos sonhos de inocência. Marginalizado ancestralmente. A lenha molhada contígua ao lado da cozinha nos lembra que…

Continuar leyendo…

O fascista que levamos dentro de nós

Tradução do Eduardo Vasco, Diário Liberdade  Para um fascista ganhar a presidência de um país, milhões de fascistas são necessários, que em tempos de democracia acabam dando seu voto a um extremista de direita. Porque uma coisa é uma ditadura sangrenta e outra é que milhões de pessoas votem por um fascista e o tornem presidente. O nome do fascista é o mínimo, estamos cercados por eles, nós somos eles: todos nós temos um fascista em nossas famílias, amigos, conhecidos, colegas de trabalho, em nossa comunidade, nós mesmos temos algo fascista. Não? Vamos nos ver em um espelho. Tenhamos a…

Continuar leyendo…

O germe do fascismo

Tradução do Eduardo Vasco, Diário Liberdade Como um mal hereditário nas novas gerações se reproduz com facilidade porque são gerações desvalidas, deixadas à interpérie, carcomidas que, como bagaços, são lançadas às urnas, às ruas, à vida. Infestadas desse gene que acaba com o cérebro em um piscar de olhos, essas gerações não conhecem as primaveras, viveram hibernando em quartos escuros desde sempre, não conhecem o calor do sol nem a alegria do canto das aves, são incapazes de sentir algo que esteja fora da margem de seu radar de fascistas. Inclusive não sabem o que são, porque carecem de raciocínio.…

Continuar leyendo…

Os outros exílios O drama da migração forçada

Tradução do Revista Diálogos do Sul  Esses outros exílios têm a particularidade da pobreza extrema, uma miséria que alguns foram obrigados a padecer por sua origem e sua classe social. Como sacos de lixo, como pacotes, como despojos são lançados para o vazio, os párias; a quem arrebataram tudo desde o momento de seu nascimento e nesse vazio; moribundos, sem anseio algum e sem pele onde deter os ossos, perambulam nas migrações forçadas. Esses outros exílios tornados invisíveis e estigmatizados por todo aquele que é incapaz de sentir no próprio nervo a dor do outro.  Em outros tempos as migrações forçadas…

Continuar leyendo…

“As mulheres são sempre as mais afetadas por essas políticas de austeridade”

Tradução do Revista Diálogos do Sul  Em entrevista para Crônicas de uma inquilina, Beatriz Cannabrava e Vanessa Martina Silva falam sobre o cenário político e as eleições no Brasil No Brasil se falava de direitos humanos, de políticas de inclusão, de um Brasil nos BRICS. Celebrava-se o matrimônio igualitário. Tudo mudou em questão de segundos. Em entrevista para Crônicas de uma inquilina, Beatriz Cannabrava e Vanessa Martina Silva, ambas editoras na revista brasileira Diálogos do Sul, falam sobre a atual situação política do Brasil e das futuras eleições. Confira a entrevista: O que aconteceu que o povo foi incapaz de impedir…

Continuar leyendo…

O germe do fascismo

Tradução do Revista Diálogos do Sul  Como um mal hereditário, nas novas gerações se reproduz com facilidade porque são gerações desvalidas, abandonadas à intempérie, carcomidas. Infestadas desse gene que acaba com o cérebro em um piscar de olhos, estas gerações não sabem de primaveras, têm vivido invernando em quartos escuros desde sempre, não conhecem o calor do sol nem a alegria do trinado das aves, são incapazes de sentir algo que esteja fora da margem de seu radar de fascistas. Inclusive não sabem que o são, porque carecem de raciocínio.  Estas gerações são como pacotes empilhados que carregam e descarregam em…

Continuar leyendo…

Destruir o progressismo e seus líderes para destruir o povo latino-americano

Tradução do Eduardo Vasco, Diário Liberdade Que não sobre nada da América Latina progressista, nenhum rastro do Niño Arañero [Hugo Chávez (NT)], de Néstor, de Lula, de Dilma, nenhum vestígio de Evo, de Correa, de Maduro, nenhuma marca de Mujica, de Lugo, de Manuel Zelaya. E, obviamente, nenhum indício de Cristina. E que não reste dúvida alguma de que também tentarão destruir Lopez Obrador. Destruir os líderes para destruir o povo. Destruir a memória histórica porque destruindo a raiz não há broto algum e os povos despelados se tornam marionetes e massa amorfa manipulável para os criminosos da oligarquia latino-americana…

Continuar leyendo…

Os olhares perdidos nos vazios do tempo e do esquecimento provenientes do Norte migrante

Tradução do Revista Diálogos do Sul  Com um nó na garganta, penso nas milhares de crianças que também crescerão na miséria e na exploração e que em suas vidas rotas também se converterão em homens adultos, com olhares perdidos nos vazios do tempo e do esquecimento. Estou no supermercado e vou para os balcões de frutas buscando abacaxi. No balcão da frente onde estão as laranjas e limas, está um homem mexicano colocando fruta fresca; tem o olhar vazio e as mãos cansadas, como a maioria dos indocumentados. Pego dois abacaxis e uma dúzia de bananas e volto o olhar para…

Continuar leyendo…

O som da norte

Tradução do Eduardo Vasco, Diário Liberdade Ontem eu estava andando pela Michigan Avenue no centro de Chicago e em frente ao lago havia um show anual de avião em que aviões da Força Aérea participam e em que eles realizam muitas piruetas, um evento assistido por milhares de espectadores. Toda vez que sobrevoavam o centro da cidade, um som sombrio e terrível estagnava entre as ruas e os arranha-céus produzindo um eco que acelerava o coração e paralisava a multidão que caminhava no centro da cidade no verão, um som aterrorizante: o som da morte. A cada três minutos eles…

Continuar leyendo…