O inverno como sossego e fortalecimento

Tradução do Eduardo Vasco, Diário Liberdade 

No inverno, o céu fica de cor cinza e as nuvens densas descem para perambular pelas ruas da grande cidade; uma neblina gelada que faz com que os transeuntes despejados lamentem aquela estação que eles chamam de mau tempo.

O humor diminui, os resfriados aumentam e a depressão se torna o sofrimento da estação. As pessoas muitas vezes são vistas amaldiçoando o vento frio, a neve acumulada, os dias cinzentos e os espessos flocos quando começa a nevar. Em sua raiva, eles são incapazes de desfrutar da magia que a natureza lhes dá: um espetáculo impressionante que deve encantar todos os que a testemunham.

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Quando é que a esquerda latino-americana vai se unir?

Tradução do Revista Diálogos do Sul 

Este momento, este preciso momento que vive América Latina, é a cúspide do neoliberalismo que triunfa sobre a Memória Histórica. Vê-se desde longe que é apoteótico. Era previsível, era só uma questão de tempo chegarmos a este ponto de incoerência porque estamos cheios de gerações sem memória e sem identidade.

E sem o desejo de acusar ou de buscar um culpado, assim porque sim, mas sim de chamar as coisas por seu nome, a esquerda latino-americana em seu divisionismo – mais por causa do ego que por outra coisa – em seu machismo, misoginia e patriarcado deixou a juventude do continente à deriva. A direita não perdeu tempo e ocupou a lugar vago e os resultados saltam à vista mesmo que não queiramos vê-los. E não há pretexto algum que tenha cabida nesta realidade.

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Gerações sem memoria

Tradução do Eduardo Vasco, Diário Liberdade 

O que está acontecendo na América Latina agora, deve ser de vital importância para gerações de esquecimento. Todo mundo com 40 anos e menos é considerado parte da geração do esquecimento.

Todo mundo que nasceu durante as ditaduras ou pós-ditaduras foi injetado com o gene da ignorância e do esquecimento coletivo. Nós pertencemos à geração de negação. Somos o produto de um plano baseado nesse objetivo: criar gerações vencidas, chambonas, ineptas, egoístas, consumistas e insensíveis. Alguns abalos em toda a extensão da palavra.

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A doméstica como escrava

Tradução do Revista Diálogos do Sul 

Serviçal, empregada, criada, doméstica, babá, diarista; a empregada doméstica é conhecida por uma infinidade de nomes. No entanto é a empregada mais importante e paradoxalmente a mais mal paga, a explorada e a escravizada em um modelo de sociedade que utiliza parias como trampolim; como escada, como o suporte mais importante para sustentar a exploração de uns para benefício de outros.

Infinidade de teorias, estudos, conceitos e definições podem ser escritos em tomos e mais tomos para justificar a existência da doméstica, mas esse trabalho não tem qualquer justificação; é a exploração de uma mulher para que a outra consiga o benefício da realização profissional e pessoal. Um sistema que milenarmente tem mantido esse modelo funcional para as minorias.

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América Latina, rebelde e resistente

Tradução do Revista Diálogos do Sul 

A América Latina, mesmo que os ingratos afirmem o contrário, é rebelde e resiste. Como resistem as pétalas das flores das 10 ao sol do meio dia.

América Latina ainda não se rende, 500 anos de saques, genocídios, ecocídios e devastação e continua resistindo. Não será agora que vão nos vencer,

Memorizem isso: não nos venceram! Não vão nos vencer!

Que o saibam os covardes, genocidas, saqueadores, os vende pátria, los envolvidos e los traidores: não vão nos vencer.

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Honduras sacrificada pelo Triângulo Norte

Tradução do Revista Diálogos do Sul 

 

Honduras põe o sangue pelo Triângulo Norte da América Central.

Em Honduras se tornou piada: em 2015, pegaram os sábados para bronzear-se nas praias do país e fazer a fotografia de lembrança, enquanto se agitavam cartazes com os nomes dos mártires da ditadura. Com cartazes, barricadas nas ruas, tudo para sair na televisão e depois colocar-se de joelhos votando pela continuidade das máfias no governo. E isso quando havia a oportunidade de dizer não às eleições e exigir a Assembleia Nacional Constituinte. Exemplo claro de como não se deve fazer as coisas quando o que se pretende é mudança. Porém, estamos falando de Guatemala.

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Golpe contra Nasralla em Honduras

Tradução do Revista Diálogos do Sul 

Honduras, situada no triângulo norte da América Central, como Guatemala e El Salvador, é um dos três países mais explorados da América Latina.

Em 28 de junho de 2009, quando Honduras iniciava um caminho próprio, distante do neoliberalismo e se irmanava com o progressismo latino-americano que emergia na América do Sul, o presidente Manuel Zelaya sofreu um golpe de Estado. Um golpe ordenado pelos Estados Unidos e executado pela oligarquia, tal como ocorreu no Paraguai e no Brasil: executados pelo Congresso e a Corte Suprema de Justiça.

Abutres afins ao poder do capital, ditaduras que se impõem com novos modelos operacionais, que tem o centro da logística no Congresso, na Corte Suprema de Justiça e no Tribunal Supremo Eleitoral. São manipuladas pelos meios de comunicação corporativos que são a base para manter vigente o sistema atual, enganando a população.

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A farsa do dia de Ação de Graças

Tradução do Revista Diálogos do Sul 

Não há nada mais falo, mais nefasto, mais soberbo nos Estados Unidos que celebrar o Dia de Ação de Graça. A celebração mais importante depois do 4 de julho, a terceira continua sendo o Natal.

Amparados numa história falsa, escrita pelos genocidas que invadiram este país e exterminaram os nativos do norte do continente, em cada novembro celebram o Dia de Ação de Graças. Peregrinos, dizem os livros escolares, peregrinos imigrantes que foram socorridos pelos nativos. Não contam como se impuseram que os torturaram, que violaram suas mulheres, que os exterminaram num dos genocídios mais sangrentos vividos pelos povos originários. Depois, já satisfeitos, sentaram para celebrar a matança no que chamam Dia de Ação de Graças. Esse dia deveria ser recordado como o do Genocídio Caucasiano contra os nativos do norte do continente. Deveria ser reivindicado assim como o dia 12 de outubro. A história deveria ser reescrita e deixar claro que o que os povos originários sofreram por parte dos invasores europeus foi um verdadeiro genocídio.

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Núcleo patriarcal

Tradução do Eduardo Vasco, Diário Liberdade 

Vivemos em sociedades patriarcais, misóginas e machistas; como resultado desse padrão, a violência contra a mulher é sistemática e estrutural. E também, por mais indigno que seja, é uma violência normalizada porque a mulher ainda é vista como um objeto que pertence à pessoa que a compra.

Por essa razão, vemos pais, irmãos, avós, amigos, amantes, companheiros, acreditando-se donos de suas filhas, irmãs, netas, amigas, amantes e companheiras. E o mesmo com estranhos, eles acreditam que são donos de qualquer mulher que se sentem livres para excluí-las, insultá-las, golpeá-las, estuprá-las, matá-las e desaparecer.

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Lenín Moreno, o grande traidor do progressismo latino-americano

Tradução do Eduardo Vasco, Diário Liberdade 

Apenas alguns meses atrás celebrávamos a vitória de Lenin Moreno, que prometeu dar continuidade à Revolução Cidadã que Rafael Correa iniciou; ele resultou ser uma fraude, dando o pior golpe ao progressismo latino-americano na última década: Lenin Moreno mordeu a mão daquele que o alimentava.

Moreno superou Temer, seu ódio por seu país foi mais longe, assim como Temer não suportou a luz de seus presidentes, Temer não poderia com Dilma e Moreno nunca poderá com Rafael Correa, porque Correa, como Dilma, é simplesmente imortal na memória dos povos.

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O encanto do Che

Tradução do Eduardo Vasco, Diário Liberdade 

Os Estados Unidos são um país com uma diversidade de culturas, impressionante. À beira de um semáforo, à espera de atravessar a avenida, pode haver cinquenta pessoas e todos são de países diferentes e todos têm uma história, um passado, uma raiz. A quantidade de religiões e o pensamento político também são variados. Em uma reunião social, em um restaurante, em um supermercado simples ou no parque você pode encontrar uma variedade de culturas e línguas que são impossíveis de identificar.

E conheci pessoas de países que não sabia que existiam e que tiveram que me mostrar no mapa, que quando começaram uma conversa comigo, me perguntam sobre Che, Allende, Chavez e Fidel. Gostaria de me esperar para contar histórias desses mitos, que dão por certo que eu sei de cor. E aí estão como crianças esperando por contar uma história.

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O encantamento do Che

Tradução do Revista Diálogos do Sul 

Os Estados Unidos é um país com uma diversidade de culturas impressionante. Parados num semáforo, esperando cruzar uma avenida, podem passar cinquenta pessoas e todas são de diferentes países e todas têm uma história, um passado, uma raiz. A quantidade de religiões e pensamento político é também assim de variada. Em uma reunião social, num restaurante, num simples supermercado ou no parque pode-se encontrar uma variedade de culturas e idiomas que é impossível identificar.

Já me encontrei com pessoas de países que eu nem sabia que existiam e que tiveram que me mostrar no mapa, e que ao conversar comigo me perguntam pelo Che, Allende, Chávez e Fidel. Como esperando que eu lhes conte histórias desses mitos, que dão por sentado que sei de memória. E aí ficam esperando como crianças que eu lhes conte um conto.

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Por que o neoliberalismo avança pela América Latina?

Tradução do Eduardo Vasco,  Diário Liberdade  

Pelo gene natural de autodestruição que temos como humanidade. Esse ego próprio, o egoísmo, ou seja, ganhar todo o possível sem se importar que o outro fique sem nada.

 A partir desse gene, podemos dividir os diferentes aspectos que nos levam a tentar analisar o comportamento coletivo de nossas sociedades antes da política neoliberal que nos arrasa.

Neoliberalismo que sempre esteve presente porque é patriarcal e somos sociedades patriarcais, portanto, os resultados são de domínio, ódio, roubo e manipulação. O patriarcado não é apenas misógino, também é racista e elegante, terrivelmente homofóbico. O patriarcado foi a imposição da mente colonizada generacionalmente; por mais de 500 anos, um mal que se tornou genética de nossa América manchada e graças a essa idiotização em massa, os resultados são angustiantes para as pessoas e miseráveis para os bandidos.

Um neoliberalismo que, em nome da fé e das religiões, nos divide entre santos e demônios. Todo mundo que é diferente e se atreve a pensar por si mesmo é malicioso e deve ser punido por sua insolência; o castigo é tirar os direitos, excluí-lo e desaparecer se a sua existência venha a provocar piores nos planos de saque que as mafiosas oligárquicas tenham. Como resultado, as ditaduras no continente e milhares de mortos e desaparecidos.

Os santos são aqueles que acompanham a corrente, que, por causa da preguiça ou do conforto, não se atrevem a pensar ou a questionar em voz alta um sistema que os foda também, porque os robotiza, os cobra de mil maneiras, em uma espécie de violência naturalizada porque é sistemática. Um tipo de violência que é constantemente renovada porque é estratégica e busca manter as massas adormecidas, é por isso que a existência do consumismo, das religiões, da poralização dos meios corporativos, do sistema educacional.

O neoliberalismo avança no continente porque somos sociedades insensíveis, desumanizadas, hipócritas, desleais. Sociedades que preferem dormir o sonho eterno de viver de aparências em vez de despertar e ser forçado a agir; porque a atuação exige responsabilidade e quem quer ser responsável em uma era de exploração coletiva?

A responsabilidade disso é daqueles que sabem, que com a capacidade de analisar, questionar, organizar, preferem dormir a mona, porque beneficia que o sistema exclua alguns e recompensa outros por sobreposição. Você não pode se esconder na ignorância quando se beneficia com o silêncio. Aumentar a voz é uma responsabilidade humana, individual e coletiva.

Devemos estar despertando rios, fogueiras, mares em tempestade. Devemos ser semente, eco de montanhas, aldeias de pessoas honradas, devemos ser a chuva que cresce a milpa, o fertilizante. O peal constante da Memória Histórica, deixa de ser repelido como base e adobe. Devemos ser a lava do vulcão quando o inimigo ataca e tem o frescor da flor selvagem quando se tenta abraçar a causa da restauração da América Latina original.

Quem está disposto a viver essa metamorfose?

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Ilka Oliva Corado @ilkaolivacorado contacto@cronicasdeunainquilina.com

No futebol, como na vida

Tradução do Eduardo Vasco,  Diário Liberdade  

O futebol é a paixão das paixões e é algo que não está em discussão. Todos nós sabemos disso. Como a paixão tem a irreverência de nos fazer vibrar em uníssono, onde quer que estejamos, fale o idioma que falamos; pelo seu caráter universal. O objetivo é o mais próximo de tocar o firmamento com as pontas dos dedos; Quem marcou um gol conseguiu a imortalidade, então o jogo está em uma rua no subúrbio e com bola de trapo.

A paixão (como eu chamo o futebol) é a coisa mais bonita que temos na Terra, e pela felicidade que nos dá, devemos respeitá-la. Reverenciá-la sempre. Mas fazemos o contrário. Nós humanos destruímos tudo com nosso egocentrismo e nosso desrespeito. Com o nosso hábito de querer acumular tudo e entrar no caminho de qualquer pessoa que se interponha no caminho: literal.

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Escrever

Tradução do Eduardo Vasco,  Diário Liberdade  

Escrever, escrever, escrever.

Escrever se chove, se faz sol, se está nublado, à luz de vela, na pressa, no silêncio, na madrugada, ao meio dia, no banheiro, no ônibus, na rua, no fim da extirpação.

Escrever na embriaguez, na sobriedade, na agonia, no pranto, na perda, no abandono. Na alienação. Na abundância. No vício. Apesar das circunstâncias, escrever.

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Ilka Oliva: Foram as letras que deram voz ao vazio insondável que me habita

Tradução do Revista Diálogos Do Sul 

Ilka Oliva é uma escritora guatemalteca que vive nos Estados Unidos há quase 15 anos. Migrou de maneira irregular, depois de sofrer uma decepção profissional. Os desafios que tem enfrentado não a impediram de sobressair na escrita. Já publicou 12 livros que foram traduzidos para vários idiomas e faz parte da esquipe de colaboradores da Diálogos do Sul.


Mariela Castañón

Ilka Oliva concedeu uma entrevista a “La Hora Voz del Migrante” e explicou as razões de estar longe da Guatemala, a situação das pessoas migrantes, os desafios e as metas alcançadas.

LH / Voz del Migrante: Há quanto tempo você vive nos Estados Unidos e quais foram as circunstâncias que a obrigaram a sair da Guatemala?

Ilka Oliva: Em novembro completarei 15 anos de vida por aqui. Migrei com uma decepção profissional, eu era arbitra de futebol na Guatemala e estava me preparando para ser arbitra internacional, esse era meu sonho, queria representar a Guatemala na arbitragem feminina, apostei no meu país, lutei com todas as forças do meu ser por esse sonho, mas na Comissão Arbitral de Futebol pediram que desse meu corpo em troca da autorização para ser arbitra internacional. Então me decepcionei tanto que sem pensar duas vezes decidi tomar distância e ir embora da Guatemala; a única opção que tinha nesse momento era ir sem documentos, atravessando o México.

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Os párias na solidão do esquecimento

Tradução do Eduardo Vasco,  Diário Liberdade  

Não chegam a ser nem os últimos da fila, são os do subsolo, os do esgoto, os das valas feitas a picareta e talhadeira, os que carregam em seus ombros o insulto e a insolência de uma sociedade indolente e hipócrita que os desonra.

Os explorados a todas as horas, todos os dias, em qualquer lugar.

Os do lombo bronzeado e das mãos calejadas, os da alma ferida milenarmente. Os do olhar transparente e peito riscado.

Os párias, os cheira-cola, os camelôs, os índios de pés rachados, as putas da periferia, os aldeões, os jornaleiros, os indocumentados, os queimados pelo sol, os insignificantes, os impronunciáveis. Os vendedores de mercado, os ambulantes. As serventes, os pedreiros, os que servem para tudo, os que ninguém serve. O peão.

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Guatemala: A pátria é agora

Tradução do Revista Diálogos Do Sul 

“A Guatemala não mudará retuitando e bombando nas redes sociais com palavreado que sai da comodidade de estar diante da tela de um computador ou telefone celular, redes sociais as quais pequena parte da população tem acesso.”

Quando Otto Pérez Molina ganhou as eleições, pensei que Guatemala tinha chegado ao fundo, uma sociedade que foi incapaz de processá-lo pelos crimes de lesa humanidade. Levá-lo à presidência foi uma punhalada nas costas dos familiares das vítimas e uma falta à Memória Histórica e à dignidade. Sigue leyendo

A pátria é agora

Tradução do Eduardo Vasco,  Diário Liberdade  

Quando Otto Pérez Molina ganhou as eleições, pensei que a Guatemala havia chegado ao fundo do poço, uma sociedade que foi incapaz de julgá-lo pelos crimes contra a humanidade estava o levando à presidência, aquela foi uma punhalada nas costas dos familiares das vítimas e uma falta contra a Memória Histórica e contra a dignidade por si só.

Tivemos que nos calar até que a saber nem como a justiça começou a resmungar, uma justiça castigada, manchada, desaparecida, enterrada em quantas fossas clandestinas existem na história guatemalteca. Uma mancha com rosto de meninos agonizando de fome, de meninas vulneradas no mais puro de seu ser, de camponeses e jornaleiros explorados historicamente. De milhares de migrantes que no desenraizamento da diáspora e no sacrifício das remessas sonham com o retorno à pátria que os abandonou. Sigue leyendo

Crianças e adolescentes migrantes: carne de canhão

Tradução do Revista Diálogos Do Sul 

Em 2014, no princípio do verão saiu Obama com suas onze ovelhas a dar uma entrevista coletiva com caráter de urgência. Falou de uma crise de crianças migrantes que viajavam sozinhas para Estados Unidos em busca de seus pais ou fugindo da violência de seus países de origem. É claro que não se falou da violência institucionalizada, referiu-se às quadrilhas, como bandos criminosos. A “crise” como ele a chamou tem mais de 20 anos e teve caráter de urgência desde então. Sigue leyendo