Lenín Moreno, o grande traidor do progressismo latino-americano

Tradução do Eduardo Vasco, Diário Liberdade 

Apenas alguns meses atrás celebrávamos a vitória de Lenin Moreno, que prometeu dar continuidade à Revolução Cidadã que Rafael Correa iniciou; ele resultou ser uma fraude, dando o pior golpe ao progressismo latino-americano na última década: Lenin Moreno mordeu a mão daquele que o alimentava.

Moreno superou Temer, seu ódio por seu país foi mais longe, assim como Temer não suportou a luz de seus presidentes, Temer não poderia com Dilma e Moreno nunca poderá com Rafael Correa, porque Correa, como Dilma, é simplesmente imortal na memória dos povos.

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O encanto do Che

Tradução do Eduardo Vasco, Diário Liberdade 

Os Estados Unidos são um país com uma diversidade de culturas, impressionante. À beira de um semáforo, à espera de atravessar a avenida, pode haver cinquenta pessoas e todos são de países diferentes e todos têm uma história, um passado, uma raiz. A quantidade de religiões e o pensamento político também são variados. Em uma reunião social, em um restaurante, em um supermercado simples ou no parque você pode encontrar uma variedade de culturas e línguas que são impossíveis de identificar.

E conheci pessoas de países que não sabia que existiam e que tiveram que me mostrar no mapa, que quando começaram uma conversa comigo, me perguntam sobre Che, Allende, Chavez e Fidel. Gostaria de me esperar para contar histórias desses mitos, que dão por certo que eu sei de cor. E aí estão como crianças esperando por contar uma história.

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O encantamento do Che

Tradução do Revista Diálogos do Sul 

Os Estados Unidos é um país com uma diversidade de culturas impressionante. Parados num semáforo, esperando cruzar uma avenida, podem passar cinquenta pessoas e todas são de diferentes países e todas têm uma história, um passado, uma raiz. A quantidade de religiões e pensamento político é também assim de variada. Em uma reunião social, num restaurante, num simples supermercado ou no parque pode-se encontrar uma variedade de culturas e idiomas que é impossível identificar.

Já me encontrei com pessoas de países que eu nem sabia que existiam e que tiveram que me mostrar no mapa, e que ao conversar comigo me perguntam pelo Che, Allende, Chávez e Fidel. Como esperando que eu lhes conte histórias desses mitos, que dão por sentado que sei de memória. E aí ficam esperando como crianças que eu lhes conte um conto.

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Por que o neoliberalismo avança pela América Latina?

Tradução do Eduardo Vasco,  Diário Liberdade  

Pelo gene natural de autodestruição que temos como humanidade. Esse ego próprio, o egoísmo, ou seja, ganhar todo o possível sem se importar que o outro fique sem nada.

 A partir desse gene, podemos dividir os diferentes aspectos que nos levam a tentar analisar o comportamento coletivo de nossas sociedades antes da política neoliberal que nos arrasa.

Neoliberalismo que sempre esteve presente porque é patriarcal e somos sociedades patriarcais, portanto, os resultados são de domínio, ódio, roubo e manipulação. O patriarcado não é apenas misógino, também é racista e elegante, terrivelmente homofóbico. O patriarcado foi a imposição da mente colonizada generacionalmente; por mais de 500 anos, um mal que se tornou genética de nossa América manchada e graças a essa idiotização em massa, os resultados são angustiantes para as pessoas e miseráveis para os bandidos.

Um neoliberalismo que, em nome da fé e das religiões, nos divide entre santos e demônios. Todo mundo que é diferente e se atreve a pensar por si mesmo é malicioso e deve ser punido por sua insolência; o castigo é tirar os direitos, excluí-lo e desaparecer se a sua existência venha a provocar piores nos planos de saque que as mafiosas oligárquicas tenham. Como resultado, as ditaduras no continente e milhares de mortos e desaparecidos.

Os santos são aqueles que acompanham a corrente, que, por causa da preguiça ou do conforto, não se atrevem a pensar ou a questionar em voz alta um sistema que os foda também, porque os robotiza, os cobra de mil maneiras, em uma espécie de violência naturalizada porque é sistemática. Um tipo de violência que é constantemente renovada porque é estratégica e busca manter as massas adormecidas, é por isso que a existência do consumismo, das religiões, da poralização dos meios corporativos, do sistema educacional.

O neoliberalismo avança no continente porque somos sociedades insensíveis, desumanizadas, hipócritas, desleais. Sociedades que preferem dormir o sonho eterno de viver de aparências em vez de despertar e ser forçado a agir; porque a atuação exige responsabilidade e quem quer ser responsável em uma era de exploração coletiva?

A responsabilidade disso é daqueles que sabem, que com a capacidade de analisar, questionar, organizar, preferem dormir a mona, porque beneficia que o sistema exclua alguns e recompensa outros por sobreposição. Você não pode se esconder na ignorância quando se beneficia com o silêncio. Aumentar a voz é uma responsabilidade humana, individual e coletiva.

Devemos estar despertando rios, fogueiras, mares em tempestade. Devemos ser semente, eco de montanhas, aldeias de pessoas honradas, devemos ser a chuva que cresce a milpa, o fertilizante. O peal constante da Memória Histórica, deixa de ser repelido como base e adobe. Devemos ser a lava do vulcão quando o inimigo ataca e tem o frescor da flor selvagem quando se tenta abraçar a causa da restauração da América Latina original.

Quem está disposto a viver essa metamorfose?

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Ilka Oliva Corado @ilkaolivacorado contacto@cronicasdeunainquilina.com

No futebol, como na vida

Tradução do Eduardo Vasco,  Diário Liberdade  

O futebol é a paixão das paixões e é algo que não está em discussão. Todos nós sabemos disso. Como a paixão tem a irreverência de nos fazer vibrar em uníssono, onde quer que estejamos, fale o idioma que falamos; pelo seu caráter universal. O objetivo é o mais próximo de tocar o firmamento com as pontas dos dedos; Quem marcou um gol conseguiu a imortalidade, então o jogo está em uma rua no subúrbio e com bola de trapo.

A paixão (como eu chamo o futebol) é a coisa mais bonita que temos na Terra, e pela felicidade que nos dá, devemos respeitá-la. Reverenciá-la sempre. Mas fazemos o contrário. Nós humanos destruímos tudo com nosso egocentrismo e nosso desrespeito. Com o nosso hábito de querer acumular tudo e entrar no caminho de qualquer pessoa que se interponha no caminho: literal.

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Escrever

Tradução do Eduardo Vasco,  Diário Liberdade  

Escrever, escrever, escrever.

Escrever se chove, se faz sol, se está nublado, à luz de vela, na pressa, no silêncio, na madrugada, ao meio dia, no banheiro, no ônibus, na rua, no fim da extirpação.

Escrever na embriaguez, na sobriedade, na agonia, no pranto, na perda, no abandono. Na alienação. Na abundância. No vício. Apesar das circunstâncias, escrever.

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Ilka Oliva: Foram as letras que deram voz ao vazio insondável que me habita

Tradução do Revista Diálogos Do Sul 

Ilka Oliva é uma escritora guatemalteca que vive nos Estados Unidos há quase 15 anos. Migrou de maneira irregular, depois de sofrer uma decepção profissional. Os desafios que tem enfrentado não a impediram de sobressair na escrita. Já publicou 12 livros que foram traduzidos para vários idiomas e faz parte da esquipe de colaboradores da Diálogos do Sul.


Mariela Castañón

Ilka Oliva concedeu uma entrevista a “La Hora Voz del Migrante” e explicou as razões de estar longe da Guatemala, a situação das pessoas migrantes, os desafios e as metas alcançadas.

LH / Voz del Migrante: Há quanto tempo você vive nos Estados Unidos e quais foram as circunstâncias que a obrigaram a sair da Guatemala?

Ilka Oliva: Em novembro completarei 15 anos de vida por aqui. Migrei com uma decepção profissional, eu era arbitra de futebol na Guatemala e estava me preparando para ser arbitra internacional, esse era meu sonho, queria representar a Guatemala na arbitragem feminina, apostei no meu país, lutei com todas as forças do meu ser por esse sonho, mas na Comissão Arbitral de Futebol pediram que desse meu corpo em troca da autorização para ser arbitra internacional. Então me decepcionei tanto que sem pensar duas vezes decidi tomar distância e ir embora da Guatemala; a única opção que tinha nesse momento era ir sem documentos, atravessando o México.

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Os párias na solidão do esquecimento

Tradução do Eduardo Vasco,  Diário Liberdade  

Não chegam a ser nem os últimos da fila, são os do subsolo, os do esgoto, os das valas feitas a picareta e talhadeira, os que carregam em seus ombros o insulto e a insolência de uma sociedade indolente e hipócrita que os desonra.

Os explorados a todas as horas, todos os dias, em qualquer lugar.

Os do lombo bronzeado e das mãos calejadas, os da alma ferida milenarmente. Os do olhar transparente e peito riscado.

Os párias, os cheira-cola, os camelôs, os índios de pés rachados, as putas da periferia, os aldeões, os jornaleiros, os indocumentados, os queimados pelo sol, os insignificantes, os impronunciáveis. Os vendedores de mercado, os ambulantes. As serventes, os pedreiros, os que servem para tudo, os que ninguém serve. O peão.

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Guatemala: A pátria é agora

Tradução do Revista Diálogos Do Sul 

“A Guatemala não mudará retuitando e bombando nas redes sociais com palavreado que sai da comodidade de estar diante da tela de um computador ou telefone celular, redes sociais as quais pequena parte da população tem acesso.”

Quando Otto Pérez Molina ganhou as eleições, pensei que Guatemala tinha chegado ao fundo, uma sociedade que foi incapaz de processá-lo pelos crimes de lesa humanidade. Levá-lo à presidência foi uma punhalada nas costas dos familiares das vítimas e uma falta à Memória Histórica e à dignidade. Sigue leyendo

A pátria é agora

Tradução do Eduardo Vasco,  Diário Liberdade  

Quando Otto Pérez Molina ganhou as eleições, pensei que a Guatemala havia chegado ao fundo do poço, uma sociedade que foi incapaz de julgá-lo pelos crimes contra a humanidade estava o levando à presidência, aquela foi uma punhalada nas costas dos familiares das vítimas e uma falta contra a Memória Histórica e contra a dignidade por si só.

Tivemos que nos calar até que a saber nem como a justiça começou a resmungar, uma justiça castigada, manchada, desaparecida, enterrada em quantas fossas clandestinas existem na história guatemalteca. Uma mancha com rosto de meninos agonizando de fome, de meninas vulneradas no mais puro de seu ser, de camponeses e jornaleiros explorados historicamente. De milhares de migrantes que no desenraizamento da diáspora e no sacrifício das remessas sonham com o retorno à pátria que os abandonou. Sigue leyendo

Crianças e adolescentes migrantes: carne de canhão

Tradução do Revista Diálogos Do Sul 

Em 2014, no princípio do verão saiu Obama com suas onze ovelhas a dar uma entrevista coletiva com caráter de urgência. Falou de uma crise de crianças migrantes que viajavam sozinhas para Estados Unidos em busca de seus pais ou fugindo da violência de seus países de origem. É claro que não se falou da violência institucionalizada, referiu-se às quadrilhas, como bandos criminosos. A “crise” como ele a chamou tem mais de 20 anos e teve caráter de urgência desde então. Sigue leyendo

O dia em que soube que não era pobre

Tradução do Diário Liberdade  

Eram os primeiros dias da década de noventa e a Ciudad Peronia começava a se encher de barracas, de gente que chegava de outros povoados e do oeste do país invadindo o setor que agora é conhecido como El Mirador. Aquilo era no cerrado, ruas de asfalto e um mercado ao ar livre, um terrão onde os vendedores tiravam sacos e caixas de papelão para servirem de mesa para colocar seus produtos. Sigue leyendo

O dia em que eu soube que não era pobre

Tradução do Revista Diálogos Do Sul 

Eram os primeiros dias da década de noventa e a Ciudad Peronia começava a encher-se de migrantes, de gente que chegava de outros arrabaldes e do ocidente do país a invadir o setor que agora é conhecido como El Mirador.

Aquilo era um matagal, ruas de terra e um mercado ao ar livre, um terreiro onde os vendedores espalhavam sacos e caixas de papelão para servir de mesa para expor suas mercadorias. Sigue leyendo

Venezuela amanheceu Chavista e a Guatemala vassala

Tradução do Revista Diálogos Do Sul 

Guatemala esteve em evidência; lá inventaram a manifestação aos sábados para ir se bronzear, porque sua vontade não dava para se manifestar em dia de semana; lá estavam com batucadas, panelas, cartazes, chocalhos, diziam que lutavam contra a corrupção do governo; alguns mais abusivos se auto proclamaram netos de Arbenz e passeavam cartazes com as fotos do pobre homem. Essas mesmas pessoas continuam negando o Genocídio.

Alguns mais insolentes ainda se atreveram a dizer que eram povo, e davam três pancadas no peito, depois quase desmaiavam de febre de sábado de ceviches e bronzeados, e caiam esparramados justo no momento da foto; o objetivo era sair na primeira página da mídia internacional, fingindo consciência política. Enchiam a boca gritando que eram a geração da mudança, que não sei o que e que não sei quanto, que aqui e lá. Que se haviam metido com a geração equivocada; com isso faltando ao respeito às gerações passadas que foram torturadas, assassinadas e desaparecidas pelo exército da Guatemala. Sigue leyendo

Gerações vencidas

Tradução do Revista Diálogos Do Sul 

América Latina, com suas muitas cores, sua fecundidade, seus Povos Originários e seus mártires, é uma terra de contradições e entre estas estão as gerações vencidas; acomodadas nas sombras do descaramento, do oportunismo e da indolência. Gerações que se negam a uma identidade própria e que pisoteiam todo rastro de memória e dignidade.

Gerações ineptas, adormecidas, incapazes de valer-se por si mesmas. Incapazes de atrever-se a criar, a questionar, a formular uma análise própria, que se acostumaram a cortar e colar; a se esconder por trás das palavras e ações de outras pessoas porque fazê-lo não exige responsabilidade alguma pelos próprios atos. São pois as marionetes com as quais se burla um sistema de dominação que cada vez se alicerça mais sobre a raiz inerte dos que esquecem com facilidade, porque vivem flutuando em uma bolha de indolência e individualismo. Sigue leyendo

Gerações vencidas

Tradução do Eduardo Vasco, Diário Liberdade

A América Latina, com suas várias cores, sua fecundidade, seus Povos Originários e seus mártires, é uma terra de contradições, entre elas as gerações vencidas; acomodadas na sombra do descaramento, o oportunismo e a indolência. Gerações que se negam a uma identidade própria e que pisam em todo o rastro de memória e dignidade. Sigue leyendo

Tráfico e abuso a migrantes indocumentados em trânsito

Tradução do Revista Diálogos Do Sul 

O pesadelo de migrar sem documentos é por si só terrível e a isso se agrega o fato de ser vítima de tráfico para exploração sexual, de trabalho e tráfico de órgãos; homens, mulheres e crianças, sendo as mulheres e crianças as mais vulneráveis. Sem deixar de mencionar a comunidade LGBTI que além de ser discriminada sofre um abuso maior devido à homofobia e o patriarcado.

A população indocumentada é exposta a todo tipo de abuso, tanto de máfias como de autoridades governamentais dos países de origem, trânsito, destino e retorno. Um migrante em trânsito vive em situação delicada devido ao status social que o expõe aos perigos e abusos por sua condição de indocumentado. Sigue leyendo

Tráfico e abuso de imigrantes indocumentados em trânsito

Tradução do Eduardo Vasco, Diário Liberdade

Por si só o pesadelo de imigrar é terrível a ponto de encaixar o indivíduo vítima de tráfico para exploração sexual, laboral e tráfico de órgãos; de homens, mulheres e crianças, sendo as mulheres e as crianças os mais vulneráveis. Sem deixar de mencionar a comunidade LGBTI que, além de ser discriminada, sofre um abuso maior devido à homofobia e patriarcado.

A indocumentada é uma população exposta constantemente a todo o tipo de abuso, tanto de máfias como de autoridades governamentais dos países de origem, trânsito, destino e retorno. Um imigrante em trânsito vive em situação delicada devido ao status social que o expõe aos perigos e abusos por sua condição de indocumentado. Sigue leyendo

Falemos de patriarcado

Tradução do Eduardo Vasco, Diário Liberdade

O patriarcado deveria ser tema de conversas, como quando falamos de futebol, de música, de literatura, de arte, de filmes…

Deveria se falar de patriarcado e suas consequências na escola, na universidade, em reuniões sociais, em todos os lados e todas as horas.

Por quê? Porque é nosso inimigo a ser vencido, e não é temática que envolve somente feministas, não é preciso ser feminista para falar de patriarcado; o patriarcado prejudica a todos, a uns mais que outros, porque não matam um homem por causa de seu gênero, uma mulher sim. Sigue leyendo

Grave erro ter liberado Leopoldo López

Tradução do  Diálogos do Sul

Uma coisa é um apelo à paz, ao diálogo que busca a paz, e outra é liberar o autor intelectual dos protestos de 2014 na Venezuela, que buscavam formar o caos que abrisse caminho para um golpe de Estado. Protestos que cobraram a vida de 43 pessoas. Tê-lo feito foi um grave erro do Governo venezuelano, jamais se deve negociar com o inimigo. O tipo que se salvou de ser preso em 2002, depois da agressão na embaixada de Cuba não é flor que se cheire.

Leopoldo López não é um preso político, não estava na prisão injustamente, estava cumprindo uma condenação por delitos comprovados. E, agora, com que cara vão enfrentar o povo venezuelano que tem apoiado incondicionalmente o Governo? O que é que vão dizer para essas pessoas que aguentaram insultos, golpes, feridas físicas, que perderam familiares, que mesmo temendo por suas vidas defenderam a Revolução? Sigue leyendo