Guatemala: Todas as dores de um país e de um povo honesto, honrado e trabalhador

Tradução: Beatriz Cannabrava, Revista Diálogos do Sul Nação de gente honesta, que enfrenta, que trabalha, que levanta a cara, que caminha de frente, que curte as mãos, que parte a vida, que levanta a voz. É um país formoso do qual a gente se enamora à primeira vista, rotundamente belo; de musgos brancos como trepadeiras nos pinheirais, de musgos verdes como tapetes aveludados à margem dos riachos; riachos que quer secar a mão assassina de quem não ama, de quem não respeita e odeia, odeia, odeia o belo por ser natural.   Seus quetzales cantam junto aos pintassilgos nas montanhas verdes…

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Traições, falta de escrúpulos e farsas: Vivemos imersos em um mundo de vanglórias

Tradução: Beatriz Cannabrava, Revista Diálogos do Sul Acreditamos que somos os seres evoluídos do universo, mas é o contrário: somos o retrocesso constante e a perda Vivemos em um mundo de vanglórias, onde são premiados os mais ruins, aqueles que traem, quem não tem escrúpulos, quem pisa em alguém para alcançar objetivos próprios. Em um mundo de farsas, onde a única coisa real é a burla. Esse é o mundo que criamos e alimentamos todos os dias com nossas ações ou passividades; estas dependem do que nos convenha segundo soprem os ventos em nossa bolha de indiferença e egolatria.   Um…

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City of Joy: o cruel documentário que revela a força das mulheres

Tradução do Diálogos do Sul Lugares como Cidade da Alegria não deveriam existir porque não deveria existir a violência sexual, não deveria existir o roubo de terra nem o roubo de minérios. Em nenhum tempo da história da humanidade foi fácil ser mulher; o patriarcado se encarrega de fazer-nos a vida insuportável com sua misoginia e seu machismo. Desde o início dos tempos foi empreendida uma guerra contra as mulheres que, conforme passa os séculos, cresce em lugar de desaparecer. Porque somos o pior inimigo dos covardes que temem nossa força, capacidade, inteligência, integridade e resistência. Temem o que somos…

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Mundo de vaidades

Tradução do Eduardo Vasco, Diário Liberdade Vivemos em um mundo de vaidades, onde o mais desprezível é recompensado, quem trai, quem não tem escrúpulos, quem atropela para alcançar seus próprios objetivos. Em um mundo de farsas, onde a única coisa real é zombaria. Esse é o mundo que criamos e alimentamos todos os dias com nossas ações ou passividades; estas dependem do que nos convém de acordo com os ventos que sopram em direção à nossa bolha de indiferença e egoísmo. Um mundo de desrespeito ao outro e a todo ser vivo. Somos sociedades de indivíduos e bonecos descartáveis. Indivíduos…

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Escrever, mulheres, escrever

Tradução do Eduardo Vasco, Diário Liberdade As meninas recebem bonecas para aprender desde cedo que o seu lugar na sociedade é dar à luz e cuidar dos filhos; As crianças que são seus filhos, irmãos, netos, sobrinhos, namorados, amantes, colegas, maridos …, qualquer que seja o grau de consangüinidade ou não, mas o seu papel na sociedade é ser mãe em todo o contexto patriarcal, ou seja, ; deixam de existir para servir aos outros. As crianças recebem pistolas e carroças, para que possam pegar a rua e saber que as guerras são o gênero masculino. – Será? – Eles…

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Pequenas mudanças são grandes transformações, mas é preciso força de vontade

Tradução do Beatriz Cannabrava, Diálogos do Sul Necessitamos vontade e uma voz dentro de nós mesmos que esteja nos dizendo: vamos fazer! Em meados da década de noventa em Ciudad Peronia mudou-se para a nossa quadra um casal procedente da Bethânia, outro periferia guatemalteco. Nesse época Ciudad Peronia já estava povoada, tinha ficado para trás o terrenos sem medição e os baldios que circundavam o mercado, o ponto de ônibus, e Gran Mirador, La Surtidora e  La Cuchilla. O seu Luis e sua esposa, chegaram a comprar uma casa que antes pertencia a uma família que se dedicava a estofar móveis,…

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A resistência de Hayashi Fumiko

Tradução do Eduardo Vasco, Diário Liberdade  “Se este livro influencia algo para que os jovens de hoje, arrastados para o fundo da pobreza, inquietude e escassez, continuem vivendo, não haverá nada que me cause maior alegria.” Assim fecha o prefácio de seu livro Diário de um Vagabundo, Hayashi Fumiko, em 1939. (Inicialmente publicado por prestações entre 1928 e 1930). Jornal que ele escreveu entre 1922 e 1927, digamos que entre 18 e 23 anos de idade, quando a miséria e a dor da exclusão social puxaram a pele para sacudir, em sua caminhada como trabalhador por incontáveis empregos de má…

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“O idioma do império”

Tradução do Eduardo Vasco, Diário Liberdade  Sempre quis aprender francês para ler A Náusea e As Palavras de Sartre em seu idioma, porque nas traduções, por muito boas que sejam, em algum momento se perde a essência, a pureza do texto que só se mantém ao lê-lo no idioma em que ele foi escrito originalmente. Porém, mais que tudo, para escutar em seu idioma as canções da grande Édith Piaf, porque não é a mesma coisa escutar uma canção e não entender o que diz, embora esteja claro, o idioma do coração é universal e Édith é alma pura. Também…

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Migrantes indígenas: Explorados, excluídos e invisíveis como ratos de esgoto

Tradução de Beatriz Cannabrava,  Revista Diáologos do Sul  A maioria dos carregadores são indígenas que só falam seus idiomas maternos e que foram obrigados a migrar Não importa o dia do ano e se chove torrencialmente, eles sempre estão aí desde a madrugada até o anoitecer. Trabalhando duro. Seu corpo como ferramenta de trabalho e modo de sobreviver. Não importa se pensam e sentem, se perguntarão que horas são (porque para o explorado não há relógio que pare) ou se têm dor de dente ou bolhas nas mãos. Se acabam de perder um parente ou se lhes nasceu um filho. Eles…

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Antonio e José: mais dois imigrantes que têm os sonhos despedaçados nos EUA

Tradução de Beatriz Cannabrava,  Revista Diáologos do Sul  “Aqui você perde tudo, tudo se perde, já nem chorar se pode mais, até de chorar a gente cansa”, conta Antonio, migrante guatemalteco indocumentado. É meio dia de um dia de julho de verão infernal, eu os observo pela janela que dá pra rua enquanto subo as escadas da casa onde trabalho; seus corpos banhados de suor, com picareta na mão abrem uma vala na lateral da casa para consertar um encanamento.  De manhã, havia chegado o dono da empresa, um polaco de uns 60 anos, para fazer ato de presença e só.…

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Outro mundo melhor é possível: Porque devemos usar o poder colossal de nossa voz

Tradução de Beatriz Cannabrava,  Revista Diáologos do Sul  O que seria de nós no dia em que a deixássemos sair? O que seríamos como humanidade? Como seres individuais? Estamos acostumados a que outros opinem por nós, porque acreditamos que o que temos a dizer não é importante, que carece de consistência e sentido: por não ter tal grau de escolaridade, por não ser de tal classe social, por não ter tal cor de pele, ser de tal gênero, por ter tal peso, por ter tal idade, tal estatura, gostar ou não gostar de tal coisa; em um dos tantos padrões com…

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