A família tradicional como imposição

Tradução do  Revista Diálogos do Sul

Desde o princípio dos dias, o sistema patriarcal nos impôs até a forma como devemos andar ou sentar, tudo a respeito do papel de gênero e sem falar de comportamentos, que vêm por categorias dependendo dos estereótipos e preconceitos; que vêm por padrões de criação ou que nós, até mesmo antes de aprender a falar optamos por patenteá-los como próprios ou convenientes.

Não há nada mais imposto nesta vida e que nos faça mais mal como sociedade que o padrão patriarcal que é machista e misógino. Mãe em potencial, dizem as saudações do Dia da Mãe às mulheres que não têm filhos, como se todas as mulheres pelo simples fato de seu gênero devem converter-se em mães, sim ou sim. Essa mulher já está gasta, não vale, dizem quando se sabe que uma mulher solteira teve relações sexuais antes do casamento. E o homem? É mais macho quanto mais mulheres tiver em sua lista. Mas há um detalhe: o que acontece com o homem que é diferente da média? Seguramente será maricas, puto, viado, e um sem fim de apelativos que são visto como normais em uma sociedade que fez do desrespeito, do insulto e da violência uma forma de vida.

Sigue leyendo

Mães por causa de um estupro

Tradução do Eduardo Vasco,  Diário Liberdade

A esta hora em qualquer esquina, bar, canto, casa e matagal da América Latina, estão estuprando uma menina, adolescente e mulher, nos próximos cinco minutos serão mais dezenas de abusadas, ao meio dia serão centenas e ao pôr do sol, milhares. Destas, a maioria será maltratada, muitas assassinadas em crimes de ódio, algumas desaparecerão e jamais de saberá delas, possivelmente morram nos infernos do tráfico de pessoas; e de outras aparecerão seus corpos desmembrados em qualquer rua, em um saco de lixo ou de batatas. Dessas meninas, adolescentes e mulheres violentadas, centenas ficarão grávidas.

 Serão obrigadas a parir, a parir filhos da maior dor de suas vidas, filhos do ultraje, da violência, do deboche a sua dignidade. Uma sociedade carente de sensibilidade as obrigará a parir, um estado patriarcal e machista as obrigará a parir, o silêncio dos justos as obrigará a parir. Serão mães.

Sigue leyendo

“Transgredidas”, testemunhos de sobreviventes da violência de gênero

 

Tradução do Eduardo Vasco,  Diário Liberdade

Transgredidas é um dos livros que mais me custaram escrever, me doeu, chorei e o senti em carne viva, porque são relatos de testemunhos e histórias de crianças, adolescentes e mulheres que sofreram abuso sexual, seja no caminho de imigração aos Estados Unidos ou vítimas de maus-tratos de pessoas com finalidade de explorá-las sexualmente.

Sigue leyendo

O ofício de servente

Tradução do Eduardo Vasco,  Diário Liberdade

Ultimamente defensores dos direitos humanos nos chamam de assistentes domésticas, para diminuir o golpe, mas vamos às coisas pelo seu nome: somos serventes, nosso ofício é servir.

Partindo daí, podemos esmiuçar a gama de abusos que vivemos aqueles que trabalhamos no serviço doméstico de babá e de faxineira. Não importa o país, a realidade dos serventes é a mesma em todos os lados. Não vamos dar banhos de pureza e apontar os Estados Unidos como os causadores de todos os nossos males. Na Índia, existem as castas, na América Latina as mentes colonizadas, e assim vamos por cada país e continente, cada um com seus próprios males.

Sigue leyendo

Nossa luta contra os feminicídios na América Latina

Tradução do Diário Liberdade

No dia 8 de abril completou-se um mês do feminicídio de 41 meninas, as quais o Estado da Guatemala torturou e queimou vivas. Também em 8 de abril apareceu o corpo de Micaela García, uma menina argentina membro do Movimento Evita, que havia desaparecido alguns dias atrás.

Micaela, de 21 anos, estudava Educação Física, vivia pelos párias, esses negrinhos que o classismo detesta. Foi violada e assassinado por um estuprador em série que foi deixado em liberdade por um juiz porque segundo este último, a única coisa que o estuprador tinha era uma “perversidade natural”.

Sigue leyendo

A dignidade imprescindível do povo equatoriano

Tradução do  Revista Diálogos do Sul

Nestes momentos de alegria e festa na América Latina pelo triunfo da Aliança País, é necessário recordar que tudo na história contemporânea teve início com o sonho de um “Ninõ Arañero” (1) (moleque bamba), vendedor de doces de mamão nas ruas de sua terra natal Venezuela. Resumo sua origem porque somos feitos de Memória Histórica e identidade. Meninos como Chávez nascem um a cada quinhentos anos e passam pela terra para marcar a história dos povos.

Sigue leyendo

Esconder-se nos converte em cúmplices

Tradução do Diário Liberdade

Muitos preferimos viver em nossa bolha e fechar os olhos para a realidade, ficar na passividade, virar para o outro lado, guardar silêncio. Isso a respeito da corrupção do governo e da ineficácia de um Estado falido. Isso em relação à violência sistemática e à impunidade. Ao tráfico de influência e à manipulação dos meios de comunicação. Preferimos ficar à margem da injustiça, porque é mais cômodo não se envolver, porque envolver-se exige respeito a si mesmo e aos outros e sobretudo honestidade, responsabilidade e integridade.

E não estamos preparados para rifar a pele pelos outros, não aprendemos de solidariedade e de coletividade. Acreditamos falsamente que nunca ocorrerá conosco, que isso só acontece com os outros, com os que estão metidos em confusões.

Sigue leyendo

Hogar Seguro Virgen de la Asunción: tragédia que não cala

Revista Diálogos do Sul

Muita água já correu desde o dia do incêndio no Hogar Seguro Virgen de la Asunción, (8 de março) e com isso também uma desinformação esmagadora, meios que buscam captar a atenção dos leitores com as manchetes mais aterrorizantes e notas que menosprezam a vida e a dignidade das vítimas e de suas família.

Nada de ética ou humanismo. “Estavam aí porque eram delinquentes” mencionam alguns, outro sublinha que: “aquilo era um retrato de família disfuncionais”, referindo-se aos pais de família que quando souberam do incêndio chegaram como foi possível ao refúgio. Artigos, reportagens e relatos detalhados de pontos de vista classistas, de quem têm mais, dos acomodados.

Sigue leyendo

Hogar Seguro Virgen de la Asunción: tragédia que não se cala

Tradução do Diário Liberdade

Muita água correu desde o dia do incêndio em Hogar Seguro Virgen de la Asunción (8 de março), com ele também uma desinformação esmagadora, mídias que buscam captar a atenção dos leitores com as manchetes mais assustadoras e notas “amarelas” que menosprezam a vida e a dignidade das vítimas e suas famílias. Para nem se falar de ética e humanismo. “Estavam lá para delinquir”, mencionam alguns. Outro ressalta que “aquele era um retrato de famílias disfuncionais”, referindo-se aos pais de famílias que, ao saber do incêndio, chegaram como puderam ao refúgio. Artigos, reportagens, relatos detalhados a partir do ponto de vista classista, daquele que mais tem, do acomodado.

Sigue leyendo

As migrantes em trânsito

Tradução do Revista Diálogos do Sul

Saem de suas casas: em municípios, aldeias, casarios, arrabaldes… sem rumo fixo, como folhas secas arrastadas pelo vento, mortas em vida, caluniadas, golpeadas, abusadas, rechaçadas e estigmatizadas.

Pouco se sabe delas: são invisibilizadas, o Estado as marginaliza, a sociedade as exclui, o classismo, o racismo e os resquícios do patriarcado. Seu país as obrigam ao abandono e à migração.

Elas vão pelas vias férreas, em furgões, em vagões, entre montanhas e selvas, dormem nos banquinhos, nos mananciais atravessam desertos, rios, cercas de arame. Correm sem descanso: angustiadas, com o medo atravessado na garganta, com a boca seca, com a pele rachada, com o olhar perdido, com a decisão firme e com a potestade de párias.

Sigue leyendo

As migrantes em trânsito

Tradução do Diário Liberdade

 Saem de suas casas: em aldeias, povoados, rincões, fazendas, arrabaldes… sem rumo fixo, como folhas secas arrastadas pelo vento, mortas em vida, caluniadas, golpeadas, abusadas, rechaçadas e estigmatizadas.

 Pouco se sabe delas; as invisibilizam, o Estado as marginaliza, as marginaliza a sociedade, o classismo, o racismo e as macula o patriarcado. Seu país as obriga ao abandono e à migração.

Sigue leyendo

Saúde ao meu pai: De filhas e pais

Tradução do Revista Diálogos do Sul

A última vez que eu o vi, me disse meu paizinho: “Preta, eu vou morrer”. Fria e direta como é natural em mim, eu respondi sem sentir pena: “paizinho, não fique chateado, todos nós vamos morrer”. Quase um mês depois ele faleceu, a notícia nos chegou de longe, na diáspora, a milhares de quilômetros da Guatemala, há apenas cinco dias.

Eu sou a filha que desde a adolescência menos o abraçou e menos o acariciou, sou a filha mais ferida, a única ardentemente. No entanto, de suas 4 crias sou a que mais o desfrutou e isso aconteceu em meus primeiros anos de infância; essa relação deu raízes profundas e fortes para minha vida.

Sigue leyendo

Tatoj 

Tradução do Diário Liberdade

A última vez que o vi, me disse meu Tatoj*: “Negro, vou morrer”; fria e direta, como é minha natureza, o respondi sem piedade: “Tatoj, não se preocupe, todos vamos morrer.” Cerca de um mês depois dessa conversa, faleceu meu Tatoj. Recebemos a notícia de bem longe, na diáspora, a milhares de quilômetros da Guatemala, há apenas cinco dias.

Sou a filha que desde a adolescência o abraçou e menos o acariciou, sou a filha mais ferida, a única veemente. No entanto, de suas quatro crias, soua que mais o disfrutou e sucedeu em meus primeiros anos de infância; essa relação gerou raízes profundas e fortes em minha vida.

 

Sigue leyendo

E as deportações que o México realiza?

Sígueme en https://telegram.me/cronicasdeunainquilina

Tradução do Diário Liberdade

As recentes batidas de indocumentados nos Estados Unidos têm despertado o interesse dos meios de comunicação, mas não por que se importem com os direitos humanos dos indocumentados nem com a denúncia do abuso, o fazem porque é pão quente e notícia fresca que se pode aproveitar para um sem-fim de objetivos. Mas esse aproveitamento não vem somente dos meios de comunicação, também são apontados como urgentes por artistas, cineastas, poetas, comunicadores sociais, líderes comunitários e advogados especializados em imigração. A finalidade? Abocanhar o quanto puder do pobre diabo do indocumentado.

Sigue leyendo

O muro de Trump contra América Latina

Sígueme en https://telegram.me/cronicasdeunainquilina

Tradução do Revista Diálogos do Sul

Sem ir muito longe, o muro que Trump pretende construir não vai deter a imigração forçada de latino-americanos porque ela se deve à política externa dos Estados Unidos e sua ingerência na América Latina. Primordialmente. O acosso constante, a intromissão em assuntos internos de outros países que toma como próprios. O saque impiedoso em terras que sempre vulnerou à sua vontade.

 Se especificarmos a migração de centro-americanos e mexicanos para os Estados Unidos e mergulharmos um pouco na história dos últimos 50 anos na região, veremos detidamente o papel desempenhando pelo Plano Condor e pelas ditaduras impostas que permitiram a criação de governos neoliberais que respondem a mandatos estadunidenses.

Sigue leyendo

O duplo padrão das manifestações nos Estados Unidos

 

Sígueme en https://telegram.me/cronicasdeunainquilina

Tradução do Diário Liberdade

Temos visto como multidões nos Estados Unidos têm tomado as ruas desde que Trump tomou posse como presidente do país, e isso é excelente. No entanto, não podemos ser ingênuos e acreditar que tudo aquilo é dignidade e inconformismo com as políticas de Trump e que a sociedade de um dia para outro despertou e se conscientizou dos valores humanos. Porque nos Estados Unidos seguem existindo cidadãos de quinta categoria ainda para os manifestantes que clamam por justiça social, equidade e humanidade.

Este caos teria sido evitado se pelo menos nos últimos 20 anos a sociedade estadunidense tivesse resistido a Bill Clinton, Bush e Obama. Porque são tão Tump como Hillary Clinton, a diferença é que Trump é narcisista e lhe fascina ostentar seu poder caucasiano desde o machismo patriarcal. Não há nada de novo em sua política, a única coisa é que ele fala em voz alta.

Sigue leyendo

O muro de Trump contra a América Latina

Sígueme en https://telegram.me/cronicasdeunainquilina

Tradução do Diário Liberdade

Sem ir tão longe, o muro que pretende construir Trump não deterá a imigração forçada de latino-americanos, porque ela se deve à política externa dos Estados Unidos e sua ingerência na América Latina. Primordialmente. O assédio constante, a intromissão nos assuntos internos de outros países que toma como próprios. O saque implacável em terras que sempre violado a seu capricho.

Se especificamos a imigração de centro-americanos e mexicanos aos Estados Unidos e nos adentramos um pouco na história dos últimos 50 anos na região, veremos cuidadosamente o papel que desempenhou o Plano Condor e as ditaduras impostas que deram lugar à criação de governos neoliberais que respondem a mandos estadunidenses.

Sigue leyendo

A coragem de ser articulista nos Estados Unidos

Sígueme en https://telegram.me/cronicasdeunainquilina

Tradução do Diálogos do Sul

Pelo menos uma vez por dia recebo mensagem de leitores que me fazem perguntas como esta: “não posso acreditar que escrevendo como escreve você viva nos Estados Unidos; deveria viver na América Latina”. Outros vêem com os dentes arreganhados: “claro, escreve na comodidade dos Estados Unidos”. Com isto, ambos os lados procuram desvirtuar minha atitude.

Antes me preocupava muito, principalmente quando eram pessoas humanistas as que me escreviam. Devo dizer que é mais gente de esquerda que de direita que se dirige a mim com esse tipo de crítica. Vêm como traição que eu viva nos Estados Unidos e escreva artigos sobre política latino-americana.

Sigue leyendo

Lá se vai o bom Obama, negro em vão

Sígueme en https://telegram.me/cronicasdeunainquilina

Tradução do Diário Liberdade

Muitos acreditaram que, por ser negro, Obama representaria uma mudança transcendente na política interna e externa dos Estados Unidos, mas o bom samaritano terminou sendo negro em vão. Um negro afim ao sistema e tão Ku Klux Klan como a própria Hillary Clinton e Trump.

Não há comparação, nem como ser humano nem como político, entre ele e Martin Luther King ou o próprio Malcolm X; entretanto o bom Obama, como bom oportunista, os utiliza em seus discursos, como também utilizou o 50º aniversário das marchas em Selma, Alabama, para sair bem na foto e fingir uma memória histórica que não tem. Porque sob seu nariz os policiais brancos assassinam negros como quem mata cachorros de rua. O bom Obama se dispôs a construir um monumento a Martin Luther King para honrá-lo, mas a cada dia como presidente toma decisões que o envergonhariam.

Sigue leyendo

A força da tempestade

Sígueme en https://telegram.me/cronicasdeunainquilina

Tradução do Diário Liberdade

Crescemos com o caminho marcado, pelos estereótipos, os costumes, a cultura, a religião e o sistema patriarcal que prejudica a todos nós.

Pré-concepções que nos dizem que se deve fazer isso e não aquilo. Isso está mal, pelo que dirão, por nosso gênero, aparência física, ideologia, cor da pele, idade, condição social, nacionalidade e etnia.

Sigue leyendo