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Crónicas de una inquilina

A rua, mural, a humildade e a essência da alma dos que criam plantando sementes

Posted on 20 de julio de 20209 de enero de 2024 By Ilka Oliva-Corado

Tradução do Beatriz Cannabrava, Revista Diálogos do Sul

Em um dia a dia onde o ódio se reproduz como nuvem de poeira, quando as armas são o comum, encontrar pessoas que escolhem criar em lugar de cortar, estancar, arrancar e estorvar é algo maravilhoso. Porque criar é plantar uma semente que germinará, é como reflorestar. 

Quem cria às vezes passa despercebido como todas as coisas simples da vida que por formosas já foram assimiladas como algo habitual. Como o oxigênio que respiramos já é algo habitual que não percebemos, mas se um dia nos falta aí então vamos a valorizar sua importância.

É deslumbrante um entardecer de céu avermelhado; deslumbrantes são também as pétalas das flores silvestres que crescem à margem do asfalto, entre as plantações ou como erva daninha nos jardins de decoração com flores importadas.

Às vezes é assim, vêm-se lindas as mãos de um escriturário com as unhas feitas e o tomamos como sinal de limpeza, e apontamos as mãos dos camponeses que trabalham todos os dias à terra, nutrindo-nos com as frutas e vegetais que comemos, e os chamamos sujos por seus pés rachados e encardidos entre terra, cansaço e sol.

Assim sucede com as coisas simples. As coisas formosas. A beleza está em todos os lados e em todo momento, é um instante às vezes, mas aparece e está aí, só temos que alertar os sentidos e observar, escutar, sentir, tocar, respirar… Soltar o volúvel de nossa consciência humana para deixar-nos acariciar pela beleza do simples, do natural, do extraordinário. 

Me chamou a atenção que fosse um homem negro o pintor desse mural dedicado a enaltecer o valor da mulher e sua força.

Caminhando pelas ruas de Chicago, visitando o lugar onde há anos estava um mural de Martin Luther King e Bob Marley me encontrei com a surpresa que o haviam apagado para criar outro, outro que estimulava as mulheres a seguir lutando: por seus espaços, por fazer escutar suas vozes, por exigir seus direitos, por defender sua existência, seus corpos, suas opiniões, seus pensamentos, suas criações, seu gênero.

Um mural que ainda não está terminado e tive a oportunidade de conhecer o artista que o está pintando. Me chamou atenção o artista, mas muito mais seu amigo, o amigo alentador, o que carrega as latas de tinta, o que lhe passa o marcador, o que segura o copo de café. Esse amigo que acredita no talento do artista.

Atravessei a rua e me aproximei, surpreendida pelo novo mural e enquanto o observava se aproximou um jovem afro para me dizer que o artista era seu amigo, está aí, me disse, apontando um automóvel estacionado, virei para ver e no lugar do condutor estava outro afro, fumando um cigarro e me saudou com a mão. 

O amigo preparava as latas de tinta, me explicava a obra, os detalhes, totalmente emocionado, com amor, com dedicação. Eu me surpreendia com ele, me maravilhava sua forma de confiar em seu amigo artista e enaltecer sua obra, sua intenção, sua criatividade.

São muito poucas as pessoas que não sentem inveja do talento dos outros, que acompanham, que empurram, que vão junto. São formosas essas pessoas e às vezes muito mais que os artistas que criam as obras. 

O mural tem frases em diferentes idiomas, porque nesse setor vive gente da comunidade afro e latina; me chamou a atenção que fosse um homem negro o pintor desse mural dedicado a enaltecer o valor da mulher e sua força.

O artista desceu do carro e eu lhe perguntei por que, começou a rir, é o que pinto, me disse, pinto mulheres, minha obra é admirar a força das mulheres. Conversando com o artista que pegou as latas de spray para continuar o mural, percebi que era outro homem simples, como o amigo que o observava com admiração. 

Por isso escrevo este texto, porque a humildade deve ser a essência da alma que cria. E eu admiro e valorizo quando um humano sabe que é mortal e que não é mais importante que as asas de um mosquito. 

Dessa essência devemos nutrir-nos os seres humanos seja qual seja nossa profissão ou ofício. Ao bater as botas não levamos absolutamente nada, do nada viemos e para o nada nos vamos tal como chegamos: pelados 

Em um dia a dia colapsado pela avareza, o ódio e o rancor, é reconfortante encontrar em uma parede qualquer de uma rua qualquer, um mural que sem importar o tema nos tire um momento da realidade e nos faça sonhar com um mundo diferente. E que lindo é saber que há pessoas que em lugar de cortar preferem semear…

Se você pretende compartilhar esse texto em outro portal ou rede social, por favor mantenha a fonte de informação URL: https://cronicasdeunainquilina.com

Ilka Oliva Corado @ilkaolivacorado

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