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Crónicas de una inquilina

O silêncio diante da censura e a cumplicidade criminal com os delitos mais cruéis

Posted on 27 de noviembre de 20199 de enero de 2024 By Ilka Oliva-Corado

Tradução do Beatriz Cannabrava, Revista Diálogos do Sul

Existem muitas maneiras de sermos covardes, patifes e ruins, há muitas maneiras de matar sem puxar o gatilho, muitas maneiras de estuprar sem tocar um corpo

Existem muitas forma de ser covardes, canalhas e maus, existem muitas formas de matar sem apertar o gatilho, de violar sem tocar um corpo, e todas se compactam no silêncio; guardando silêncio ante o opróbrio violentamos e assassinamos duplamente; nos convertemos em cúmplices do delitos mais cruéis, quando nos escudamos em ideologias e religiões como pretexto para esconder nossa mediocridade e miséria de ingratos desumanizados, aleivosos e altaneiros. Ou pior ainda quando dizemos que não temos nenhuma ideologia e nenhuma postura política e por isso não nos envolvemos acreditando que isso nos salva de problemas e nos permite estar em paz com todos; porque o importante é não incomodar ninguém.

Há muitas formas de evadir a realidade e pretender que nada acontece: olhando para outro lado, metendo-nos em nossas bolhas, vendo e fingindo que isso não é real ou que porque não sucede na frente da nossa casa, dentro de nossas quatro paredes, porque não toca a nossa família diretamente, não pode nos afetar. Tomando a postura daqueles que assinalam com o dedo acusador, acreditando-nos superiores e limpos, limpos por nos mantermos à margem. Que afete outros, aos que se metem em camisa de onze varas por estúpidos; tudo nesse mundo está dito e feito e não há nada que mudar, é só seguir os padrões e ainda mais quando estes nos beneficiam, nós que costumamos obter nossos objetivos passando sobre os demais. Ou que covardemente não lutamos por eles porque sabemos que para lutar é necessário coragem, e ainda mais quando as lutas são coletivas e buscam derrubar impérios e normas, eliminar injustiças e impunidade; nos dedicamos a mostrar porque é melhor estar do lado do ingrato do que daquele que enfrenta. Nós que tivemos a sorte de não sofrer nem lutar como outros, porque nascemos com privilégios.

Quando sabemos que o benefício principal será para outros e não para nós diretamente, esses outros, os mais golpeados do sistema e os do esgoto na escada das classes sociais, então nos desligamos porque a torta inteira não será para nós. E quando o ódio nos inunda ou melhor o exalamos e nos entra o medo de só pensar que os do esgoto tenham acesso aos nossos direitos e, pior ainda, à nossa comodidade. Nos irrita pensar que essa gente possa comer três vezes ao dia, que essas crianças possam ter teto, roupa e sapato como os nossos, ou pior ainda, que possam ir à escola e brincar com eles… que problema que sejam amigos! 

Temos o direito de permanecer calados e a obrigação de não fazê-lo.

O que faremos sem serviçais e sem jardineiros? Sem os que cortam a cana, que colhem as verduras, o café? Sem os carregadores de sacolas nos mercados? O que faremos sem o engraxate? Sem casas de encontro e sem bares? O que faremos sem aquela que limpa para nós o cocô do cachorro e das crianças? É esse o medo, que um dia as coisas se emparelhem. Somando nosso racismo, porque como mentes colonizadas nos acreditamos anglos, arianos, sendo mestiços e quando a realidade nos golpeia ao ver-nos no espelho, nos desquitamos com os que fisicamente são como nós e que cremos inferiores, porque façamos o façamos, e pensemos como pensemos a raiz ancestral sempre estará como marca milenar de nossa origem embora reneguemos dela.

É covarde, muito covarde haver saído de uma classe social por esforço próprio, sorte na vida, ou como quer que tenha sido, e de outra postura de benefício econômico agir como o patrão abusador contra os que um dia foram nossos vizinhos, amigos, conhecidos ou simplesmente um confrade da mesma classe social. Isso é o que faz o silêncio, nos converte em cúmplices do abuso. É muito covarde também, independentemente da classe social, ideologia e religião fingir que nada acontece, solapar e ser parte da manipulação midiática, colaborar com a desinformação, aplaudir o abuso de poder ou não dizer nada. Não dizer nada é como aceitar, dar por sentado, é uma palmadinha no ombro do abusador. Que bom que nós tivemos a sorte de não sofrer fome nem frio, que tivemos o benefício da educação superior, e tivemos teto, comida quente, o básico para sobreviver; por que nós negamos que outros tenham o mesmo? 

Os direitos e as obrigações estão ao par, de mãos dadas. Temos o direito de guardar silêncio e a obrigação de não o fazer, temos a obrigação de denunciar, levantar a voz. De pelo menos não ficar na mediocridade de ver o abuso contra os outros e covardemente esconder-nos dentro da nossa bolha porque é melhor que não cheire nem feda. E apesar de nossa covardia, de nossa ingratidão, os povos seguirão seu caminho em uma luta imparável, por mais que os traiamos, por mais que guardemos silêncio, por mais que cuspamos nossa raiz ancestral, por mais que finjamos não ver, porque os povos têm algo que nós não temos e que não se pode comprar com dinheiro, contatos, subornos, violência nem silêncio; coragem, os povos têm coragem. 

Se você pretende compartilhar esse texto em outro portal ou rede social, por favor mantenha a fonte de informação URL: https://cronicasdeunainquilina.com

Ilka Oliva Corado. @ikaolivacorado

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