Pouco nos resta de humanidade

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Tradução do Diário Liberdade

Pouco nos resta de humanidade, se é que em algum momento a tivemos. Um planeta insalvável nos grita pedindo auxílio, nos fazemos de desentendidos e deitamos a dormir de barriga para cima, enquanto em todo o nosso redor vai se extinguindo diante de nossa indiferença de medíocres egocêntricos.

Somos a deterioração de uma espécie destrutiva, egoísta, oportunista e jactanciosa. Somos o pior dos males. Cada dia amanhecemos com mais espécies em perigo de extinção, com a fauna e a flora em agonia, com as selvas tropicais a ponto de ser desertos. Com as ruas de nosso bairro repletas de lixo. Nós, com nosso couro mais duro. Mais insensíveis que o dia anterior.

Cada dia mais crianças nas ruas, nas lixeiras, cada dia mais feminicídios; mais crianças, adolescentes e mulheres violadas. Cada vez mais gravidez como produto de um estupro. E o direito ao aborto que nunca chega porque questiona nossa hipocrisia.

Cada dia mais desaparecimentos forçados, mais tráfico de pessoas para fins de exploração sexual, laboral e tráfico de órgãos. Mais imigrantes lançando-se às fronteiras da morte. Nós, cada dia mais corruptos como os grandes capos e nos acomodamos dizendo: “se eles fazem isso, por que eu não?”. Mais mesquinhos que um ano atrás. Submissos quando nos convêm e excelentes para viver de aparências.

Nossa espécie é o veneno de todas as criaturas que habitam o universo. Corrompidos em cada uma de nossas ações. Escravos do consumismo e da fofoca. Somos o mero leite para humilhar o desamparado, para pisoteá-lo, para esfregar em sua cara nossa opulência de bandoleiros de dupla moral. Esses resíduos que o sistema nos permite, porque somos frios e acomodados.

Nós, que desconhecemos de irmandade e solidariedade. Que a dignidade nos escalda, que a lealdade nos ofende e que a consciência nos faz os mandados. A nós, que a palavra humanidade nos cria úlceras. Que o respeito pelo outro nos incomoda e nos enfurece.

Somos uma espécie putrefata que nem as aves de rapina querem comer. Nos devoramos entre nós mesmos, ansiosos, urgentes, com a avareza a flor da pele; com a maldade nos lábios e no olhar. Com os dardos envenenados nas mãos. E nos lançamos entre família, amigos, conhecidos e todos a uníssono contra o mais explorado do sistema.

Quando teremos respeito por todas e cada uma das espécies do planeta? Quando vamos lutar para salvar os rios, os lagos e os mares? Pela fauna e a flora? Pelo sorriso das crianças marginalizadas? Pela esperança destroçada dos avós que morrem no esquecimento da sociedade? Quando deixaremos a avareza pela consciência? O oportunismo pela partilha? A indiferença pela solidariedade? A exclusão pela inclusão? Os direitos para todos, sem distinção? Quando vamos lutar pela liberdade dos povos? Quando, quando seremos humanos? É urgente, era para ontem.

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Ilka Oliva Corado @ilkaolivacorado contacto@cronicasdeunainquilina.com

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