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Crónicas de una inquilina

Mingau de soro de leite com farinha

Posted on 20 de agosto de 202520 de agosto de 2025 By Ilka Oliva-Corado

Tradução do Beatriz Cannabrava, Revista Diálogos do Sul

Começou a chover as quatro da tarde e não parou nem um segundo. Fausta se encomenda, acendo uma vela ao Senhor de Esquipulas e abriga a seus seis filhos na cama com o poncho eu lhe comprou à prestação  a um vendedor que chega todas as quintas-feiras desde Momostenango apregoando fronhas para os travesseiros, lençóis, ponchos e toalhas típicas. Sempre chega com seu filho adolescente e andam toda a cidade e os aldeias com suas vendas a prazo. 

Fausta lhes dava onde esquentar as tortilhas na quentura da panela, eles as levavam em um saco que penduram cruzado nas costas antes de pôr a carga da venda. Lhe deu pena a Fausta vê-los com tanto peso às costas. Mas é que o favor é mútuo, assim os vê Fausta, porque lhe servem de companhia no que põe os pinhões no fogo. Sempre os espera com café de milho ou de tortilha fervendo no batedor, sua panela da feijões espessos e um quarto de queijo ou de requeijão. Eles se deleitam com a comida à qual sempre lhe agregam pimenta que carregam em seus sacos. Na época de calor lhes fez refresco e quando está inspirada, os recebe com um copo de chicha de milho amarelo. 

Em troca lhe ajudam a rachar a lenha e a amontoam na parede atrás da cozinha. Lhes dá de presente sementes, milho morado e café também de sua colheita. Fausta lhes conseguem compradoras, que garante que vendam a crédito, porque são muito pontuais com os pagamentos. Fiado é a única forma que podem comprar, os esposos trabalham em fazendas de Chiquimula y Zacapa e chegam a Escuinapa uma vez cada três meses durante um fim de semana se vão de novo. Enquanto isso a elas lhes toca buscar-se o sustento com o que possam. 

Fausta faz queijadinhas de arroz, marquesote, queijo e requeijão. O leite o compra onde tio Tibe, que sempre lhe vende fiado. Con dor também sacrifica a suas galinhas, parte-as, põe os pedaços uma bacia plástica e vai apregoá-las na cidade: não tarda muito para vendê-las embora também algumas vezes tem que deixá-las fiadas.  As vende mais rápido por pedaços que inteiras: algumas compram duas asas, outras as patas, miúdos, está quem sempre pede os pescoços, porque para o peito no lhes alcança e para as pernas tampouco. Nía Margarita, a diretora da escola, sempre lhe compra as rabadilhas. 

A ela lhe ajuda lavando a roupa, a passa, faz limpeza na casa e aí tira seus centavos para comprar o mais urgente: sal, açúcar, azeite, fermento, o que necessite para continuar vendendo sus queijadinhas e marquesotes. Nos tempos em que a venda baixa, caminha mais longe e vai até a saída da cidade, sempre com o pequeno dos seus filhos de apenas quatro meses de nascido, deitado na manta que amarra cruzada nas costas e o outro de dois anos agarrado a sua cintura. 

Com nía Romelia deixa encargados dos, enquanto os dois maiores estão na escola. Na entrada da cidade está uma venda de grãos, aí lhe toca aporrear feijão, desgranar milho e  fazer manojos de tusas. Difíceis são os dias quando lhe baixa sua menstruação, o trabalha de aporrear é duro e quisera estar acostada na cama, pero dobra um trapo que usa como toalha sanitária, se toma uma xícara de chá de orégano e sem parar para pensar começa a caminhar.

Dependendo da temporada do ano assim é o trabalho, para as mulheres e os homens. Mas o trabalho doméstico continua sendo exclusivamente das mulheres, por isso Fausta se propôs criar seus seis filhos de forma distinta: mãos eles têm e mãos têm as mulheres, lhes ensinará a que se lavem eles mesmo sua roupa, que cozinhem, que façam limpeza , lhe ensinará a que respeitem as mulheres, não como o marido que tem, que gasta o dinheiro  do trabalho na cantina e chega a bater-lhe em casa. Seus filhos não serão assim!

Chove tão forte que sente que o céu se vai desmoronar sobre o teto, os nenês logo se despertarão com os trovões, não tem nada quente para que tomem e esqueçam o susto. Recorda que na cozinha tem um recipiente com soro do que sobrou quando fez o queijo.  O guardava para amanhã , mas fará mingau. 

Põe as botas de borracha, destranca a porta que dá para o pátio, se cobre com uma toalha e sai correndo para a cozinha. Põe a soro para ferver, lhe põe uns pedacinhos de canela, põe a farinha e começa a mexer . Lhe doem os joelhos, passou o dia no mato procurando  azeitonas para fazer sabão. A cozinha começa o impregnar-se do aroma do mingau. 

Lhe agrega açúcar e uns grãos de sal, receita de Mamá Bartola, sua bisavó, que dizia que lhe ensinou Mamá Toribia, sua bisavó. Que contava à hora da oração, que isso enganavam a fome nos montes, onde nas noites por todo o som, só se escutava  o canto de coruja quando esta chegava a parar-se nos paus de plumajillo.

Texto en español

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Ilka Oliva-Corado.

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