Núcleo patriarcal

Tradução do Eduardo Vasco, Diário Liberdade 

Vivemos em sociedades patriarcais, misóginas e machistas; como resultado desse padrão, a violência contra a mulher é sistemática e estrutural. E também, por mais indigno que seja, é uma violência normalizada porque a mulher ainda é vista como um objeto que pertence à pessoa que a compra.

Por essa razão, vemos pais, irmãos, avós, amigos, amantes, companheiros, acreditando-se donos de suas filhas, irmãs, netas, amigas, amantes e companheiras. E o mesmo com estranhos, eles acreditam que são donos de qualquer mulher que se sentem livres para excluí-las, insultá-las, golpeá-las, estuprá-las, matá-las e desaparecer.

Uma violência sistemática e estrutural que começa com “é uma menina” e acaba com o feminicídio. Se uma mulher nasce, ela nasce com tudo contra ela. Violência que nos diz que as meninas jogam com bonecas e uma casa. Violência que nos diz que os meninos podem praticar esportes e as meninas não podem, porque os esportes são para meninos, e as meninas que limpem a casa. Violência que nos diz que os homens da casa vão à escola e as meninas não, porque sua função na vida é se casar, ter filhos e cuidar da casa.

Violência que nos diz que poucas mulheres podem acessar o ensino superior, porque essa violência sistemática continua a pensar que as mulheres são um objeto e como um objeto que elas não pensam, não sentem, não agem e não têm direitos. A violência que determina que o papel da mulher na vida é abrir as pernas e criar filhos. Ponto.

Uma violência que também exercem mulheres contra mulheres, quando algumas dizem que acreditam que são castas, puras e santas, que as outras merecem ser estupradas por serem: putas, alcoólatras, atiçadas, atiradas, provocadoras, periguetes, promíscuas e drogadas e, elas endossam com isso o patriarcalismo de que também são parte e ajuda a se alimentar. Ignorando isso ao expor uma mulher ao escárnio público de dupla moral por seu comportamento e estilo de vida, elas também se expõem que pertencem ao mesmo gênero.

Uma violência estrutural que alimenta um sistema que manipula, exclui e viola as mulheres em todos os níveis da sociedade. Uma violência que diz que as mulheres não podem decidir sobre seus próprios corpos, e que esse corpo não lhes pertence, pertence ao escárnio público e ao apontar a religião. É por isso que o direito ao aborto continua a ser negado.

A violência contra a mulher tem vários rostos, formas inumeráveis, por isso é muitas vezes imperceptível, disfarçando-se de sutileza quando muitos acreditam que elas se lisonjeiam quando de fato o que fazem é violentar com o assédio das ruas.

Violência estrutural e sistemática que continua a negar as oportunidades de cuidados médicos, educação e desenvolvimento às mulheres. Um sistema de justiça patriarcal, misógino e machista, com juizes machistas, procuradores machistas, advogados machistas, policiais machistas, com sentenças inexistentes porque as decisões são retiradas da misoginia que é o ódio contra as mulheres. Violência obstétrica que desrespeita as mulheres quando elas estão dando à luz. Aquele que mostra como ela se veste, age e vive.

Falar sobre a violência contra as mulheres é falar sobre o início dos tempos.

Todos os dias 25 de novembro, o Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra a Mulher é celebrado. Luta que começou em 1981, para comemorar a data em que foram assassinados (em feminicidio) em 1960, as irmãs Mirabal: Patria, Minerva e María Teresa, na República Dominicana por ordens do ditador Trujillo. Desde 1999, as Nações Unidas pediram aos países do mundo que se exprimam contra a violência contra as mulheres.

No entanto, dado que a violência é estrutural e sistemática, o que temos de mudar é o sistema, os padrões parentais, porque como eu disse no início, o feminicídio é a expressão mais atroz do patriarcado sobre as mulheres, mas começa com a exclusão e degradação apenas por causa do seu gênero.

Para erradicar o feminicídio, temos que erradicar o patriarcado, para erradicar o patriarcado, temos de mudar o sistema. Para ter sociedades equitativas e igualitárias, em direitos e obrigações, devemos cortar o patriarcado pela raiz.

Um exemplo de violência contra a mulher, subliminal, é o de um parceiro, quando é o parceiro que opera para evitar ter filhos, porque o parceiro como homem nunca teria uma vasectomia porque perderia sua masculinidade. Estereótipos do patriarcado.

A violência contra as mulheres é um assunto sobre o qual devemos insistir, e isso pertence a todos nós, em todas as camadas da sociedade, ao urbano e ao rural, porque é obrigação de todos erradicar o patriarcado, a misoginia e o machismo.

Comece por parar de chamar as mulheres de bunda ao se dirigir a elas.

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Ilka Oliva Corado @ilkaolivacorado contacto@cronicasdeunainquilina.com

 

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