Tráfico e abuso de imigrantes indocumentados em trânsito

Tradução do Eduardo Vasco, Diário Liberdade

Por si só o pesadelo de imigrar é terrível a ponto de encaixar o indivíduo vítima de tráfico para exploração sexual, laboral e tráfico de órgãos; de homens, mulheres e crianças, sendo as mulheres e as crianças os mais vulneráveis. Sem deixar de mencionar a comunidade LGBTI que, além de ser discriminada, sofre um abuso maior devido à homofobia e patriarcado.

A indocumentada é uma população exposta constantemente a todo o tipo de abuso, tanto de máfias como de autoridades governamentais dos países de origem, trânsito, destino e retorno. Um imigrante em trânsito vive em situação delicada devido ao status social que o expõe aos perigos e abusos por sua condição de indocumentado.

O México, além de ser país emissor, também é país de trânsito e destino para milhares de indocumentados que se veem obrigados a deixar seus países de origem para buscar oportunidades de desenvolvimento nos Estados Unidos. Também é o país núcleo para grandes máfias internacionais que se dedicam a explorar pessoas indocumentadas.

A invisibilidade provocada pela situação de clandestinidade que vive um imigrante indocumentado o converte em presa fácil para todo o tipo de abuso. Imigrantes são explorados no país de trânsito, destino e retorno em trabalhos forçados em fábricas, campos de cultivo, serviço doméstico, manufatura, economia informal, mendicância, sem nenhum respeito por seus direitos humanos e trabalhistas. São escravizados e muitas vezes com o conhecimento das autoridades correspondentes.

Mas o que importa a vida de um imigrante indocumentado?

E aqui entra a exploração sexual e o tráfico de órgãos, quem denuncia o desaparecimento de um imigrante? E é assim como meninas, meninos, adolescentes e mulheres vão dar em casas noturnas, bares e bordéis onde são exploradas sexualmente e muitas vezes até a morte por golpes ou por cansadas de tanto abuso terminam se suicidando. Quando as traficam como objetos para o usufruto de qualquer abusador que esteja disposto a pagar para violá-las, golpeá-las ou matá-las.

As áreas fronteirizas são lugares adequados para esse tipo de abuso, as capturam no sul do México e enviam para o norte, pegam no norte e enviam a outros países. Porque seu deslocamento deve ser feito de forma clandestina para não ser visto pelas autoridades migratórias, essas pessoas se veem expostas a sofrer a barbárie da exploração.

Meninas, adolescentes e mulheres hondurenhas ao transitar pelo México são sequestradas e utilizadas para exploração sexual, dependendo da idade, fisionomia e estado físico são classificadas para o tipo de bar ao qual serão enviadas. Meninos e meninas são enviados a áreas turísticas e à fronteira com os EUA, porque é área visitada por clientes estadunidenses e canadenses.

As salvadorenhas são utilizadas para o tráfico de órgãos e as guatemaltecas que em sua maioria pertencem aos povos originários são utilizadas para o serviço doméstico.

Meninos, adolescentes e homens jovens são utilizados pelo crime organizado para assaltar outros imigrantes indocumentados, também para a cobrança de pagamento da extorsão a comerciantes. São utilizados para realizar sequestros de outros imigrantes. Também para a produção e venda de drogas. Os convertem em sicários e assassinos quando as máfias querem desaparecer pessoas.

O que fazem as autoridades a este respeito? Não muito. A corrupção entre funcionários públicos os associa ao crime organizado e é em centros de detenção ou atenção ao imigrante onde se executam os sequestros e os abusos. São os centros de distribuição. É aí onde se classifica por sexo, idade, etnia, nacionalidade, aparência e estado físico para o qual utilizarão os imigrantes indocumentados.

O México está cheio de fossas clandestinas e não só de cidadãos mexicanos, uma porcentagem maior de imigrantes indocumentados nunca conseguem chegar aos EUA porque desaparecem no trânsito pelo México. Quando não são mais úteis ao crime organizado os desligam mas não os podem deixar vivos, então extraem seus órgãos e seus corpos ou os derretem com químicos, os queimam dentro de tonéis com gasolina ou os desaparecem nas fossas clandestinas.

É incerto o destino dos imigrantes centro-americanos e sul-americanos em sua passagem pelo México, poucous conseguem chegar aos EUA.

Por causa do Plano Fronteira Sul, implementado em 2014 pelos EUA no México, que militariza desde a fronteira do Rio Bravo até a fronteira com o rio Usumacinta na Guatemala, os abusos aos imigrante em trânsito foram incrementados, dado a liberdade que têm as autoridades correspondentes para evitar a todo o custo que cheguem imigrantes indocumentados aos EUA.

O mesmo está acontecendo na Guatemala e em Honduras, como seguimento do Plano Fronteira Sul se implementa o Plano Maya Chortí que vem a se fortalecer com o Plano Mérida no México e o Plano Aliança para a Prosperidade na Guatemala, El Salvador e Honduras, são “donativos” milionários que os EUA enviam para “erradicar” o crime organizado no setor. Isso só tem servido para o recrudecimento da violência contra imigrantes em trânsito por parte das autoridades governamentais dos países envolvidos.

O tema de tráfico de pessoas para fins de exploração sexual, laboral, mendicância e tráfico de órgãos é delicado, mas o é muito mais quando se trata de imigrantes indocumentados em trânsito a quem nem no país de origem, passagem, destino e retorno são respeitados seus direitos humanos. É por essa razão que se tem criado em todo o território mexicano Casas do Imigrante por meios de organizações humanitárias que buscam protegê-los e oferecer-lhes ajuda médica, emocional e legal, seja para um retorno a seu país de origem, para ficar no México ou para continuar em direção aos EUA. Mas isso nunca é suficiente, o tráfico de pessoas é um negócio milionário para as máfias mundiais.

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Ilka Oliva Corado @ilkaolivacorado contacto@cronicasdeunainquilina.com

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