Jimmy Morales, substituto de ditador

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Tradução de Raphael Sanz

Faltava entre seus personagens um ditador, mas nesta ocasião o Moraleijo se esqueceu que não estava em suas interpretações destrambelhadas de arrivista fantasiado de ator. Aconteceu por mero detalhe; ainda que lhe pareça grande a poltrona, é o presidente da Guatemala (não por muito tempo se as massas despertarem de verdade) e não está em seu set de gravação para fazer o que lhe dê na cachola. É um empregado do governo. E isso ele deve ter muito claro, e nós mais ainda.

Dói dizer isso e não é virar a cara, mas sim dizer até o cansaço: não podemos ir às eleições, não votemos por Jimmy Morales. Mas em um país como a Guatemala têm mais força a dupla moral, o elitismo, o racismo, o patriarcado, a misoginia, a homofobia e a indolência. Votaram por um candidato que os representava e os resultados são evidentes.

Em poucas palavras e desenhando com gesso (para que entendam os estudantes universitários e egressos da universidade), votaram pela continuidade do regime militar que representava o genocida Otto Perez Molina. Com as votações, só mudaram de títere. Porque não é insulto, é a verdade: Jimmy Morales é uma marionete do exército guatemalteca, da oligarquia e da embaixada dos Estados Unidos no país.

 

O mais triste de tudo é que sabiam muito bem o que representava o Moraleijo e por essa razão votaram nele. Aqui ninguém foi enganado: bom, talvez, se por acaso acreditaram naquela coisa de “nem corrupto, nem ladrão”.

Jimmy Morales não fez absolutamente nada para o bem do país no que se refere ao que tem de presidente. À suas largas, isso sim, a dormir e chorar. E ainda vem e assina um decreto de Estado de Prevenção onde limita a liberdade de locomoção, manifestação e livre expressão. Precisa explicar com desenhos para entender o que isto significa? Já o perdoaram uma vez e era para cartão vermelho e expulsão direta, na qual saiu imediatamente ao passo com seu; que não fui eu, que foi fulano, pegue-o, pegue quem foi. Que foi sicrano, que foi o Joãozinho, mas não o Zezinho.

Explico com maçãs a incoerência de seus eleitores, saíram a manifestar por corrupção no ano passado mas não dão nem um pio agora que o Moraleijo se vê envolto de um assunto claro da mesma corrupção que denunciaram nas praças – em devaneios no chão para fotografias de recordação. Uma sociedade medíocre tem o que merece.

Explicando com plasticina o que Jimmy Morales assinou, significa que se no futuro a sociedade guatemalteca quiser sair e tomar as ruas para manifestações massivas, que podia ser uma destas para exigir a renúncia do presidente; a polícia e o exército (e também os paramilitares) podem dissolvê-las com força sem aviso prévio.

De igual maneira se refere a reuniões de caráter privado. Ou seja, se você se reúne com um grupo de amigos na sua casa e a alguém do governo (ou da sociedade, já que abundam alcaguetes e x-9s, olhos e ouvidos do Estado) lhe ocorra pensar que você está conspirando contra a entidade, os homens da lei podem cair sobre você. O levarão detido e inventarão acusações para que fiques uns anos na masmorra. Isso sem contar a tortura que é característica das ditaduras. E também os desaparecimentos forçados.

Cuidado especialmente se você for um estudante universitário da USAC porque os acusarão de serem agitadores e se não aparecerem torturados, encabeçarão as listas de desaparecidos.

Isso tudo é o mesmo que dizer que este governo aposta em um retrocesso de 30 anos, que sua Assinatura da Paz carrega os anos em que a CIA comandou a Guatemala. É sem dúvida uma versão renovada e continuada do Plano Condor, o que não surpreende pois está sendo aplicado com agenda particular em toda a América Latina. Com a América Central e o México na locomotiva do processo, encabeçando os exemplos de devastação.

Isto também é endereçado aos meios de comunicação onde praticamente os censura. Pobre daquele meio (e se é comunitário ou independente é ainda pior) que se atreva a criticar o governo e muito menos mostrar provas de assuntos delicados que aqueçam os ânimos do povo e tenha a ver com a impunidade governamental. É claramente um regime totalitário e estamos a tempo para evitar que se implemente por completo no país.

A Guatemala ainda não curou suas feridas, ainda não conseguiu restaurar o tecido social. Ainda não foi julgada pelas culpas do Genocídio. A Guatemala vive em absoluta impunidade. Apenas, ou a penas, dá pequenos respiros em busca de justiça e liberdade.

E aqui é onde entra aquilo de que “somos a geração da mudança, se meteram com a geração errada, USAC é o povo, nós landivarianos (estudantes da Universidade Rafael Landívar) também somos o povo”. Aqui é quando se necessita a inteligência, a concorrência e as detenções daqueles que se promoviam enquanto ditavam conferências por aí aproveitando a “chamarada” de manifestações do ano passado. Aqui é quando se verá o caráter dos docentes, universitários e dos líderes políticos que apostam numa Guatemala diferente. Aqui é quando o jornalismo mostrará de que está feito e para que lado vai brigar.

Aqui é onde se pede a gritos a presença da esquerda que recita versos de Otto René Castillo e comemora Jacobo Árbenz. Essa esquerda que fala de estudantes mártires da USAC. É agora, quando as circunstâncias perguntam: o que é a pátria? A pátria não é um castelo medieval como pretendem, nos fazendo crer que somos vassalos.

A oportunidade para renovar a Guatemala se apresenta a nós com clareza, nos questiona e nos apresenta nada mais e nada menos que Jimmy Morales com seus ares de aprendiz de ditador. Aqueles que votaram por ele gritaram aos quatro ventos na praça, que o poriam ali para testá-lo, mas se não fosse aprovado o tirariam. Também disseram as massas que vivem no estrangeiro e o apoiaram. Já passou o 15 de setembro e a pátria segue aí, desagregando-se diante da nossa dupla moral. Sigamos assim, apáticos, e nos vão aplicar a pena de morte.

Que tudo o que foi gritado, recitado e atuado nas manifestações do ano passado se respalde com a ação consequente, política e humana de uma sociedade que ama a Guatemala e aposta na mudança radical. Triste…

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Ilka Oliva Corado @ilkaolivacorado contacto@cronicasdeunainquilina.com

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  1. Pingback: Traduções: Crónicas de una inquilina | Raphael Sanz

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