Dilma, mulher de convicções impostergáveis

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Tradução de Raphael Sanz

A fotografia da jovem guerrilheira brasileira, quase menina, diante de um tribunal militar que a torturou e a encarcerou durante 3 anos, deu a volta ao mundo no dia em que Dilma Vana Rousseff se transformou na primeira mulher presidente do Brasil.

Aquela imagem de uma valente adolescente, de olhar profundo e sincero, sentada no banquinho dos réus por defender a soberania de seu povo, e lutar contra uma ditadura; que veio precisamente também por um Golpe de Estado em 1964, transpassou as fronteiras do tempo e chegou a todos os rincões do mundo. E falou tudo sobre integridade de quem o povo nomeou, como nas favelas e subúrbios, simplesmente Dilma; porque é nossa, é uma de nós. Privilégio de poucos presidentes ter tamanha prestígio frente aos mais desprotegidos e mais leais.

E assim por meio dessa fotografia o mundo soube com uma só imagem quem era Dilma e o que representava no Brasil e na América Latina: para as mulheres, para as massas, as favelas, o patriarcado, o machismo e a misoginia. O que representava para o classismo, o racismo, as cúpulas militares, a oligarquia brasileira e a sanha voraz dos Estados Unidos.

Uma mulher presidenta no Brasil racista, excludente, misógino e classista. Um golpe certeiro na jugular dos traidores e abusadores. Mas não uma mulher qualquer, não uma de porcelana, não uma de vidro, não uma alheia ao seu tempo, seu país e seu gênero. Falo de uma mulher capaz, íntegra, congruente com sua ideologia e com a necessidade do povo. Uma mulher de convicções impostergáveis. Não podia ser outra, a presidência do Brasil esperava com ânsias por Dilma, transparente amor das favelas e subúrbios latino americanos. Uma mulher que militou toda sua vida, que demonstrou com sua própria existência que o pessoal é político.

Dilma governou pras favelas desde o gênero, visibilizou a mulher trabalhadora brasileira; a mulher negra, a pobre, a carente de oportunidade, a abusada. E no lugar de golpes patriarcais, deu um lápis e um caderno, um escritório, trabalho, comida e as devolveu seus sonhos.

A adolescência marginalizada em lugar de lhe dar limpeza social, em lugar de a encarcerar injustamente, lhe abriu os horizontes para que sentisse no mais profundo do seu ser a força descomunal dos anseios por se realizar. Acompanhados de um sistema de governo que brindava as oportunidades de desenvolvimento.

A infância desprezada a encheu de sorrisos e de sustento a fome por saber. Mudou suas lágrimas de rejeição pela alegria de viver em liberdade. O governo de Dilma demonstrou que um sistema inclusivo é possível e que os padrões podem mudar. Seguindo com o progresso que Lula havia estabelecido em seu governo. E o fez a partir do gênero, de sua essência como mulher, da voz fecunda de suas ancestrais. O fez a partir da força dos antepassados escravos que nunca desistiram de lutar por liberdade.

O fez com a negritude de um Brasil amazônico e deslumbrantemente formoso por suas multietnias.

Dilma como presidenta mudou o rosto da miséria, deu voz aos oprimidos e os devolveu a confiança, a alegria e os anseios. Não por gosto está o povo ocupando as ruas, abarrotando-as, defendendo sua presidenta e as políticas de inclusão, triunfo dos governos Lula e Dilma.

O Golpe traidor e sua destituição vêm do patriarcado, do machismo e da misoginia. Vêm da cúpula empresarial branca e oligárquica. Vem da submissão e do descaro de um punhado de atracadores, opulentos na impunidade que conspiram com os Estados Unidos.

O Golpe vem como represália à moral de uma mulher que não se intimidou nunca diante da traição, da opressão e da desvergonha dos desleais. Vem como fatura a pagar por defender seu povo, por não haver aceitado encher contas bancarias com dinheiro roubado. Por não haver aceitado jogar do lado do traidor. Por não ter aceitado se alinhar às ordens dos Estados Unidos.

Vem pela sua ousadia de haver incluído o Brasil nos BRICS, e isso jamais deixariam passar os EUA, que se aborrecem com a liberdade dos povos. E ainda por cima, sendo exercida por uma mulher! É por essa razão que o Golpe é traidor, como todos, e nasceu, como todos, da oligarquia, das capas brancas, dos malditos fascistas, dos que desde o início de todos os tempos sempre foram covardes.

Vem por haver revolucionado o sistema de educação, de saúde, por haver criado escolas e parques no lugar de cárceres e centros de detenção. Por haver dado becas a esportistas da comunidade em lugar de os enviar à limpeza social com paramilitares.

O Golpe a Dilma, vem como consequência de sua integridade, de sua palavra cumprida, de sua lealdade a seu povo, das políticas sócio culturais, das políticas de equidade de gênero.

Dilma pôde ter tido equívocos como qualquer um dos presidentes progressistas do continente, pôde ter seus desacertos e também em algum momento teve que tomar decisões comprometedoras pelo seu nível de complexidade; não é fácil governar o país mais importante da América Latina. Por tudo o que é o Brasil na Amazônia e petróleo: pela Petrobrás e os BRICS.

Dilma não pôde fazer tudo perfeito, porque é humana e tem o direito de equivocar-se. É importante que levemos em conta que governou todo o tempo com a oligarquia contra si e com os Estados Unidos como inimigo principal. Mas algo bem diferente é a traição e ela nunca traiu seu povo.

E como se fosse pouco, porque o patriarcado, o machismo e a misoginia desconhecem ideologias, a ultra esquerda a teve como inimiga, (assim como a Cristina) a desvalorizou por ser mulher, porque não pôde aguentar em seu céu machista que uma mulher demonstrasse ter as arestas e a integridade da qual carecem, ter a inteligência e a capacidade. Dilma, por desgraça teve de cuidar da sua retaguarda também dos que pregam e se apresentam como originais.

Que nunca nada fizeram para o bem dos povos, está claro. Que são como a ultra direita: coveiros. São esses mesmos da ultra esquerda que agora tentam por o povo contra, para que não saia a manifestar, para que a deixem só e assim sintam-se triunfantes e possam celebrar o Golpe como uma conquista pessoal.

 

O Golpe no Brasil vem como um escárnio a Dilma por sua ousadia, pelo que representa como gênero e pelo que é como presidenta tentando mudar o sistema em uma América Latina patriarcal, machista, misógina, racista, classista, sem identidade e sem Memória Histórica.

O Golpe contra Dilma também é para todas as mulheres latino americanas, com isto nos querem dizer que não temos o direito de mudar os padrões, que nossa obrigação é ter filhos, limpar a casa e oferecer prazer sexual ao marido todas as vezes que ele quiser e como ele quiser: em submissão.

Vem também pelo escárnio às massas, aos afrodescendentes, às favelas, à comunidade LGBTT, e com isto nos querem dizer que não existem os Direitos Humanos para nós, que não temos direito a levantar a cabeça, a sonhar, porque nosso papel milenar é pôr o lombo para seguir sendo, pelos séculos dos séculos, os explorados de sempre. E que nosso direito a amar termina quando entra a misoginia das igrejas e religiões, os estereótipos e a homofobia.

Não faz falta ler montes e montes de livros de história latino americana para entender as razões do Golpe, é suficiente ver a fotografia de Dilma, adolescente, íntegra, valente e consequente; essa imagem sozinha nos mostra a Dilma de hoje. E ao Brasil antes e depois de Lula e Dilma. E se o povo brasileiro precisa de algum incentivo extraordinário para abarrotar as ruas e defende-la e às políticas de seu governo, é suficiente essa imagem para compreender que ela vem lutando desde 1964 quando foi dado o Golpe de Estado e vivida em carne própria a tortura em 1970 quando a cúpula militar a deteve. Uma razão mais certeira do que essa para defende-la? Não há, Dilma sempre esteve, e agora convém ao povo estar com ela e por ela. Assim sem mais, porque amor com amor se paga.

Reitero meu apoio absoluto e meu amor a minha presidenta Dilma e a minha pátria Brasil.

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Ilka Oliva Corado. @ilkaolivacorado contacto@cronicasdeunainquilina.com

 

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