Paz firme e duradoura na Colômbia?

Tradução de Raphael Sanz

Como guatemalteca vivi a Assinatura da Paz Firme e Duradoura no meu país e vi o retrocesso dos Acordos de Paz nestes 19 anos. Me pergunto: Os responsáveis realmente se comprometerão com o processo de paz?

Porque a paz é um todo em um contexto sociopolítico e sociocultural. O que é que oferecem os implicados neste novo processo de reconciliação? Quem são os que realmente estão comprometidos com este novo amanhecer? Que papel fazem os meios de comunicação em tudo isso? A partir da Assinatura da Paz deixarão de desinformar, manipular e favorecer a impunidade?

Até onde chegará a irresponsabilidade e o profissionalismo de um jornalismo que tem que ser independente e digno e, ainda pior, comprometido com a democracia de um país que vive em meio ao caos? Nesse contexto, o mais golpeado é o próprio povo, marginalizado e convalescente de uma guerra interna de décadas. Vítima de um sistema inoperante que o obriga a viver na miséria, a morrer faminto e a padecer dos estragos do neoliberalismo. Onde irão dar os fundos que utilizava o governo para combater contra as FARC? Serão investidos em ajuda e políticas sociais? O que é que oferecem as FARC política e culturalmente nesse novo processo?

Deixarão a interferência os meios de comunicação internacionais? Onde ficará o Uribismo nessa conjuntura? E os Estados Unidos e sua embaixada que está cheia de bases militares na Colômbia e que financiou o governo colombiano no combate às FARC sob o pretexto de uma guerra contra o narcotráfico? Aceitarão as FARC como um partido político no futuro? A Assinatura da Paz significa que a Colômbia buscará os ventos democráticos ou continuará pelos caminhos do neoliberalismo? São muitas as perguntas que fazem os céticos, especialmente os que já viveram em seus países burlas de processos de paz que apenas ficaram nos papeis.

Estará disposto a falar de integração e unidade um sistema patriarcal, misógino, racista e classista? A quem e em que beneficia a Assinatura da Paz? Todos sabemos que um tratado, um selo, um folder de folhas e um apertão de mãos para a uma fotografia icônica não fazem a paz. A paz é feita pelos povos que se comprometem com os processos democráticos em todos os níveis da sociedade.

Quem, a partir desse momento, deixa de ser o inimigo e o contragolpe para buscar o progresso de um país com múltiplas feridas que ainda têm décadas para serem curadas? Desaparecerá o paramilitarismo em uma Colômbia golpeada por desaparecimentos forçados, fome, miséria e exclusão? Uma Colômbia que obriga povos inteiros à mobilidade interna para salvar suas vidas da violência na linha de fogo.

O que se espera da Colômbia? Será somente um papel logo arquivado ou o governo, as FARC, os meios de comunicação e a sociedade se comprometerão na reconstrução de um tecido social destruído pelo conflito armado interno?

Falaremos disto dentro de 20 anos, tomara que não seja uma aspiração que fique apenas no papel. A Colômbia merece viver em paz e curar suas feridas, sair da obscuridade da impunidade para ver a luz da justiça e do progresso.

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Ilka Oliva Corado @ilkaolivacorado contacto@cronciasdeunainquilina.com

Estados Unidos, 13 de julho de 2016

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